Cruzeiro 1×0 Internacional: Aplicação tática e defesa implacável

Por Jorge Angrisano Santana | Em 9 de setembro de 2010

Mauro França

Gilberto, Leonardo Silva, Caçapa, Robert e Fabrício já estavam de fora. Para o difícil compromisso contra o Internacional em Uberlândia, na abertura do 2º turno, Cuca ainda perdeu Montillo e Wellington Paulista, com contusões musculares, e Edcarlos, suspenso pelo 3º amarelo. Sem muitas opções, voltou ao 4-4-2, com Leo na zaga, Everton na linha de volantes, Roger na armação e Farias no ataque.

1º TEMPO

Cruzeiro e Inter fizeram um jogo disputadíssimo, brigado, de muita pegada. Com as defesas predominando, as ações se concentraram entre as intermediárias, com poucas finalizações e jogadas de perigo.

O Cruzeiro tomou a iniciativa e jogou no campo de ataque na primeira metade do 1º tempo.  Marcava a saída de bola do adversário e tentava, com muita movimentação, encontrar brechas na muralha defensiva erguida pelo adversário. Forçava principalmente pelo lado direito com Thiago Ribeiro e o apoio de Jonathan. Sem espaço, Roger pouco aparecia na armação.

O Inter se preocupava mais em não deixar o Cruzeiro jogar do que em sair para o jogo. Fazia uma marcação forte a partir da sua intermediária e recorria a faltas para parar as jogadas celestes.

O Cruzeiro chegou pela primeira vez com perigo aos 9 minutos. Thiago Ribeiro cruzou e Everton apareceu no primeiro pau para, de peixinho, mandar a bola rente à trave esquerda de Renan. Aos 14, Jonathan apanhou um rebote no bico da grande área e cruzou de trivela. Everton penetrou por trás da zaga e bateu de sem-pulo para vencer o goleiro colorado. Um belo lançamento para uma bela conclusão. Cruzeiro, 1×0.

O gol não alterou o panorama da partida. Com mais posse de bola o Cruzeiro não encontrava espaços para as manobras ofensivas. O Inter manteve a marcação forte e batia muito. Quando Guiñazu matou um contra-ataque e recebeu o amarelo, aos 22, já eram 9 faltas coloradas contra nenhuma do Cruzeiro.

Depois dos 25 o Cruzeiro recuou sua marcação e o Inter, finalmente, começou a sair para o jogo. Passou a ter mais presença no campo de ataque, mas encontrou o sistema defensivo celeste bem armado e pouco criou. Seu primeiro e praticamente o único lance de real perigo no 1º tempo aconteceu aos 29. Nei foi ao fundo pela direita e cruzou para o meio da área. Leandro Damião, acossado por Gil, não alcançou a bola, que se perdeu do outro lado.

O Cruzeiro teve uma boa chance aos 38, quando Henrique roubou a bola de Sorondo dentro da área colorada. Farias ficou com a sobra e, quando poderia bater para o gol, preferiu recuar para o meio da área. Everton veio na corrida, mas errou o chute. Renan ainda desviou a bola e Nei completou o corte.

Aos 40, com o placar de faltas marcando 14×5 para o Inter, Wilson Mathias atingiu Diego Renan com uma cotovelada. Lance para expulsão, mas o juiz mostrou apenas o amarelo para o volante colorado. Aos 43, Fábio fez sua primeira e única defesa no 1º tempo, defendendo no meio do gol um chute de longe de Leandro Damião. E mais nada aconteceu até o apito final do juiz.

2º TEMPO

As equipes voltaram com as mesmas formações. O panorama se manteve inalterado, com as duas equipes marcando forte, com muita pegada e pouca criação.

O Cruzeiro manteve o mesmo posicionamento da segunda metade do 1º tempo. Deu campo ao adversário para tentar surpreender em contra-ataques. Com uma maior movimentação de Giuliano e Tinga, o Inter seguiu mais presente no campo de ataque. Mas seu esforço ofensivo esbarrou na ótima atuação da defensiva celeste, que praticamente não cometeu erros.

Poucas situações de perigo foram criadas. A maioria dos ataques redundou, quando muito, apenas em escanteios. Num deles, aos 26, o Cruzeiro teve uma boa chance. Roger cobrou e Leo apareceu de frente para o gol, mas tocou fraco e a defesa cortou.

Aos 29, num raro contra-ataque bem sucedido, Farias lançou por cima da zaga para Thiago Ribeiro, que entrou livre pela área. O bandeira parou o lance marcando um impedimento inexistente. Aos 30, Giuliano penetrou pela esquerda e bateu rasteiro, buscando o canto direito baixo de Fábio, que espalmou a escanteio.

Os técnicos mexeram pela primeira vez aos 32 minutos. Cuca fez logo duas alterações, colocando Pablo e Wallyson nos lugares de Roger e Farias, tentando melhorar a movimentação ofensiva do time. Celso Roth trocou Marquinhos por Andrezinho. Pouco depois, aos 36, trocou Wilson Mathias por Everton.

O Inter teve mais posse de bola e seguiu inoperante na criação. O Cruzeiro, por sua vez, não conseguiu aproveitar os espaços e pouco produziu em termos ofensivos.

Aos 39, Gil tentou espanar uma bola na entrada da área, furou e se chocou com Leandro Damião. Os colorados reclamaram pênalti, mas o juiz, acertadamente, mandou seguir o jogo.

Já pensando em administrar o resultado, Cuca trocou Everton por Fabinho aos 41. O Cruzeiro procurou gastar o tempo tocando a bola no campo de ataque. O Inter não conseguiu pressionar. Teve ainda uma última chance numa cobrança de escanteio aos 47, que a zaga celeste neutralizou.

Considerando os desfalques e a qualidade do adversário, foi uma grande vitória. Que teve como ingredientes fundamentais a aplicação tática e a determinação de todo o time e um excelente desempenho do sistema defensivo.  Agora, o desafio é manter o embalo e seguir na caça aos líderes.

Mauro França, 47, cruzeirense, economiário e historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

N.B.: Devido a dificuldade de conexão, o blogueiro não percebeu que o post do Mauro França saiu pela metade. Só agora, 19h30, com a conexão restabelecida, foi possível corrigir a falha. Peço desculpas ao colaborador do blog, que não deve ter entendido nada do que ocorreu.

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