Cruzeiro 1×0 Corintiãs: Aplicação tática e suor

Por Jorge Angrisano Santana | Em 26 de agosto de 2010

Mauro França

O Cruzeiro enfrenta o Corinthians precisando mais do que nunca de um resultado positivo. Não só para quebrar a sequência de resultados ruins como para se manter no pelotão de cima da tabela.

Sem contar com Leonardo Silva e Gilberto, ainda em recuperação, e Fabrício e Thiago Ribeiro, cumprindo suspensão, Cuca escalou o time no 3-5-2. Jonathan retorna, Everton entra na ala esquerda no lugar de Diego Renan, Paraná e Robert substituem os suspensos.

1º TEMPO

Os minutos iniciais foram eletrizantes. Logo aos 2 minutos, o Cruzeiro teve uma grande chance. Robert apanhou a sobra de uma rebatida pelo lado esquerdo e cruzou para a entrada da pequena área. Chicão dividiu com Wellington Paulista e mandou a escanteio.

Depois da cobrança e do corte da zaga, Jonathan lançou de volta para a área.  Henrique, em cima da linha de fundo, pela esquerda, escorou de cabeça para Montillo, que bateu de pé direito, cruzado, rasteiro, no canto esquerdo de Júlio César, para fazer seu primeiro gol com a camisa celeste, aos 3 minutos. Cruzeiro, 1×0.

Aos 7, Jucilei desceu pela direita e tentou cruzar. A bola bateu no braço de Everton e o juiz marcou pênalti. Bruno César bateu rasteiro, Fábio pulou para o lado esquerdo e cortou com os pés.

Daí em diante, as duas equipes adotaram estratégias distintas. O Cruzeiro recuou para o seu campo de defesa, esperando o adversário para tentar roubar bolas e sair em contra-ataques rápidos, principalmente pela direita.

Wellington Paulista atuava praticamente como lateral, fechando os avanços de Alessandro pela direita. Paraná e Henrique guardavam a intermediária e o trio de zagueiros, comandado por Caçapa, era soberano nas antecipações. Montillo se encarregava da armação, com boa movimentação e intervenções precisas.

O Corinthians passou a tocar a bola, procurando brechas para penetrações. Sem conseguir imprimir velocidade diante do bem postado sistema defensivo celeste, os corintianos não conseguiram transformar a maior posse de bola e o domínio territorial em oportunidades de gol. E se limitaram a alçar algumas poucas bolas para a área, em tentativas neutralizadas ou pela zaga ou por Fábio.

Nas poucas vezes em que se arriscou no ataque o Cruzeiro foi mais incisivo. Aos 24, Montillo lançou em profundidade para Jonathan, que ao foi ao fundo e cruzou para o meio da área. A zaga corintiana fez o corte providencial, quando Wellington Paulista se preparava para concluir.

Aos 34, Wellington Paulista ganhou na raça dos zagueiros e bateu rasteiro da entrada da área para defesa firme de Júlio César. Aos 36, o Corinthians teve uma chance em cobrança de falta pela meia-esquerda. Roberto Carlos mandou longe do gol.

Aos 38, o lance de maior perigo do Corinthians em todo o jogo. Bruno César bateu escanteio da esquerda, Paulo André subiu no meio dos zagueiros e acertou o travessão. Henrique abafou o rebote e cortou o perigo.

Na resposta celeste, aos 40, depois de boa trama, Robert recebeu na entrada da área e bateu de virada. Júlio César se esticou para espalmar a escanteio.

Nos minutos finais o Corinthians tentou apertar e conseguiu apenas alguns escanteios, que a defesa celeste conseguiu neutralizar sem maiores problemas.

2º TEMPO

As duas equipes voltaram sem alterações. O Cruzeiro criou excelente oportunidade logo no seu primeiro ataque, aos 50 segundos. Lançado por Montillo, Everton escapou pela esquerda e bateu cruzado, rasteiro. De frente para o gol, Robert e Wellington Paulista por pouco não alcançaram.

O panorama do jogo não se alterou substancialmente. O Cruzeiro manteve a postura defensiva. Embora eficiente no bloqueio, por vezes recuava excessivamente e não conseguia fazer a ligação dos contra-ataques.

O Corinthians tentou forçar um pouco mais no ataque. Seguiu com maior posse de bola e o domínio territorial, mas, sem conseguir superar a forte marcação celeste, foi pouco efetivo na criação, se limitando, na maior parte do tempo, a alçar bolas na área.

Aos 10, numa rara jogada de contra-ataque, Jucilei arrancou pelo meio e foi derrubado por Gil na entrada da área. Chicão cobrou e Fábio defendeu sem problema.

Aos 17, Adilson trocou o apagado Iarley por Souza. No minuto seguinte, o Cruzeiro chegou com perigo à área corintiana. Mais uma vez, Everton recebeu lançamento de Montillo, penetrou livre pela esquerda, mas dessa vez cruzou alto e desperdiçou boa oportunidade.

Adilson tentou melhorar a movimentação do seu meio de campo trocando Bruno César por William Morais, aos 23. Para dar novo gás na marcação, Cuca substituiu Everton pelo estreante Pablo, aos 27. E na tentativa de imprimir velocidade ao contra-ataque, sacou o ineficiente Robert para a entrada de Wallyson, aos 30. Adilson queimou seu último cartucho aos 32, com a entrada de Paulinho no lugar de Roberto Carlos.

As substituições pouco acrescentaram ao Corinthians em termos de movimentação e criatividade. O Cruzeiro saiu mais para o jogo, quase sempre pelo lado esquerdo, sem descuidar da marcação. Teve maior presença no ataque, mas não chegou a criar muitas situações de perigo.

Aos 42, Montillo saiu para a entrada de Roger, que entrou com a missão de segurar a bola e gastar tempo. No minuto seguinte, depois de uma bola roubada no ataque, Roger recebeu e lançou para Wallyson, que do bico esquerdo da grande área bateu forte para o gol. Júlio César espalmou.

Nos minutos finais o Cruzeiro se segurou e não deu chance ao Corinthians, que não conseguiu criar nenhum lance de perigo.

Foi uma vitória suada, mas preciosa. Valeu a aplicação tática, a luta e a determinação de todo o time.

Mauro França, 47, cruzeirense, economiário, historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

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