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Neymar, segundo Klopp

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

JURGEN KLOPP, técnico alemão do Liverpool:

“Algumas pessoas criticam Neymar por ele fazer a situação parecer um pouco pior, quando sofre falta. Pra mim é completamente normal essa reação, porque os jogadores realmente fazem a falta. Ele tem que se proteger, eu entendo isso também. Se o rival tem um cartão amarelo, ele tem mais chance de ganhar um vermelho. No jogo contra ele, vamos tentar evitar que os passes cheguem a ele, tentar evitar que ele ganhe as jogadas, o que é um grande trabalho, pra ser honesto. Ele é um jogador fantástico, fora de série. Ele não estava em plena forma na Copa, ainda tinha a lesão, todo mundo podia ver isso. Mas ele assumiu a responsabilidade de jogar pelo seu país, sem estar em forma. A Bélgica fez um jogo incrível contra o Brasil, mas se Neymar estivesse em forma, o Brasil teria ganho”.

Tem gente que leva Jurgen Kloop a sério e tem gente que fica com a opinião do Thiago Maranhão, um mero mesarredondista politicamente correto.

Eu fecho com o Klopp…

Profundamente triste

domingo, 5 de agosto de 2018

GABRIEL, 3 anos de idade, filho dos amigos cruzeirenses Polly Silva e Wallace Ferreira e Silva, que sempre comentam após os jogos do Cruzeiro, no Twitter e no facebook e algumas vezes neste blog, morreu, vítima de afogamento. O velório está sendo realizado neste domingo, na 8ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, Rua Nestor Soares de Melo15. O culto será nesta segunda, 06Ago, às 08:30. O enterro será às 11h no Bosque da Esperança. Meus sentimentos ao casal amigo. Tristeza infinita é o que sinto. Doi muito receber esta notícia, justamente, quando minha família está festejando a chegada do primeiro neto. Um abraço fraterno, Polly e Wallace.

Entrevista com o filho do Chico Duro

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

ENTREVISTA com Marcelo Machado, autor do livro Chico Duro.

  1. Seu nome, seu bairro?

 Marcelo Machado, bairro Ouro Preto, Belo Horizonte.

  1. Quem te fez, quando e onde te puseram no mundo?

Yolanda e Chico Duro, em Governador Valadares, 06dez71.

  1. Que time é teu de infância: Pastoril ou Democrata?

Cruzeiro sempre! Com carinho pelo Democrata e admiração pelo legendário Pastoril.

  1. Em que escolas vc cabulou as aulas, da infância até a veiêra?

Chapeuzinho Vermelho, Colégio Ibituruna, Puccamp, UniBh e Ufmg.

  1. Jornalismo por quê? Não deu conta de passar no vestibular do Ita?

O meu sonho era fazer cinema, mas para quem cresceu lendo o JB, a comunicação foi uma escolha certa.

  1. Quando vc veio a dar com os costados em Belzonte?

Fiz cursinho pré-vestibular em BH em 1990, mas só em 1997 vim em definitivo para BH, uma cidade que aprendi a amar e valorizo cada vez mais. Não sei viver sem queijo, pão de queijo, torresmo e cachaça. E aqui acha tudo isso com muita qualidade.

  1. Por que vc trabalhou, se tem uma baita herança (sem impostos) pra receber? E em que órgãos (no bom sentido) labutou?

(Risos)… Ai de mim se não seguir ralando. Já rodei mais que o Dadá Maravilha. O Tempo, Diário do Rio Doce, LANCE!, Rede Minas, Globoesporte.com, A Tarde (Salvador), Hoje em Dia, Prefeitura de Belo Horizonte, sem contar serviços prestados à Folha de São Paulo e ao Estadão.

  1. Vc escreveu um livro pensando em ganhar dinheiro? Ninguém te avisou antes, que livro dá fama, mas não rende dividendos?

Se der pra pagar algumas cervejas artesanais e uma cachacinha da boa, está valendo.

  1. Chico Duro é lenda, realidade ou miragem? Governador Valadares tinha como competir com Três Corações quando certos pais bimbavam pra produzir craques? Tinha ao menos campo de futebol em Goval?

Chico é uma realidade, com pitadas de lenda. Quem o viu jogar de 1958 a 1964, principalmente, assegura que tinha futebol para jogar ao lado de Pelé. Será? Goval tinha campos como o do Colégio Ibituruna, do Pastoril e do próprio Democrata.

  1. Se um caboclo quiser comprar seu livro, quantas centenas de reais ele terá que torrar? E onde pode encontrá-lo (o livro, não o senhor, evidentemente)?

O livro custa apenas 40 temers, mas o JAS vai ganhar um porque está dando moral. Quem quiser adquirir, basta entrar em contato comigo mesmo. Wsapp: (31) 9.9989-1971.

  1. Oliú já te consultou querendo comprar a história prum filme? Se o senhor topar, quem indicará pra ser o chico Duro no cinema?

Estou esperando o telefone tocar ainda. Antonio Banderas ou Javier Bardem cairiam bem no papel.

  1. A imprensa escrita tem futuro? Em Cuba, o povo limpa a bunda com páginas o Granma (por uma questão de higiene, mas do que ideologia). Chegaremos a este ponto neztepaiz?

Como modelo de negócio, não vejo futuro algum no impresso. Já morreu.

  1. Vc continuará escrevendo livros ou pretende voltar a ser uma pessoa normal, gastando tempo nos botequins?

Vou seguir trabalhando com comunicação, marketing político, escrevendo livros, comendo queijo, pão de queijo, torresmo, bebendo uma gelada e degustando uma cachacinha mineira.

  1. Por falar em botecos, onde vc faz ponto em Beagá e Goval? Indique os melhores. Aproveita e d6e umas dicas de puteiros pros leitores doeztegroque.

Por increça que parível, não ando botecando na capital dos botecos, mas onde houver uma Heineken (pelo menos), uma Sabicana, torresmo de barriga, uma linguiça caipira, eu estarei disponível para ir, aqui, lá e acolá.

  1. Se te dessem uma mesa redonda pra mediar, quais os quatros jornalistas ou ex-boleiros vc convidaria pra compô-la?

Juca Kfouri, Pelé, Maradona e George Best.

  1. Quais os melhores livros sobre futebol que vc já leu?

Confesso não ter lido muitos. Nenhum dos que li é tão bom como o do Agassi. Bem… Ficaria com o do Garrincha (Ruy Castro).

  1. Vc já teve mulheres? Fez filhos? Plantou árvores? Ou começou de trás pra frente, escrevendo livros antes de tudo?

Comecei fazendo filhos para herdarem as dívidas. O livro é o primeiro de muitos, espero. Quero plantar muitas árvores -cajá manga e siriguela, principalmente.

  1. Seu Cruzeiro de Todos os Tempos, por favor.

Fábio — Nelinho, Perfumo, Dedé, Sorín — Piazza, Zé Carlos, Alex, Dirceu Lopes – Tostão, Joãozinho.

  1. Que Brasil vc quer para o futuro?

Um Brasil com menos bolsoasnos já seria um bom começo

  1. Em 1985, comprei duas garrafas de Havana, na mão do seu Anísio, em Salinas. Meu plano era abri-las pra comemorar um titulo mundial do Cruzeiro. Vc acha que devo continuar guardando essas aguardentes ou é melhor leiloá-las, pois jamais terei motivos pra degustá-las?

Nem uma coisa nem outra. Vamos começar a degustá-las a partir de quarta, 08Ago, quando o Cruzeiro começa a decidir a vaga às quartas de final contra o Flamengo na Libertadores.

Um cara pra morder e esticar!

sábado, 28 de julho de 2018

O Cruzeiro tem três culpados universais pelas derrotas: Fábio, Leo e Henrique.

Fábio nem precisa falhar, basta levar gol. Nem de pênalti, pode. Leo, idem. Henrique é culpado por não morder, não agarrar, não carrinhar, não lançar, marcar com os olhos, ser avoado e sei lá mais o quê. É o caso mais grave.

Mais grave, porém de solução mais fácil. No elenco, tem o Romero. Espalhados por aí, o General Donizete e o Pierre, duas paixões recolhidas dos torcedores celestes amantes dos velhos cabeças de área.

Mas o cara que melhor atenderia ao anseio da galera é o Willians. Morde tornozelos e estica bolas o tempo todo! Um cara que encantaria o velho Osvaldo Faria e os seguidores dele.

Atualmente, Willians defende o glorioso Cerrebê, na Série B. Já disputou 10 partidas na temporada: 5 no Alagoano, 2 na Copa do Brasil, 1 na Copa do Nordeste e 2 no Brasileiro. Deve estar descansado. É chegar, vestir a camisa e ir pro jogo.

O cara a ser contratado

segunda-feira, 23 de julho de 2018

ITAIR, fosse mais inteligente, já teria esquecido Rocha e Goulart e contratado Arrascaeta. Ele está fazendo a diferença. Leva torcedor ao campo, garante vitórias, talvez, até sócios adimplentes.

Mesmo que o melhor momento pra venda no mercado europeu seja perdido, o craque ainda teria 4 anos de validade pro resto do Brasil, pro México e pra China. investimento com retorno garantido.

Bem que gostariam de ser a mãe do Neymar

sábado, 14 de julho de 2018

FILÓSOFO Victor Pimentel se deu ao trabalho de ver e comentar:

Ontem, na mesa redonda dos comunistas mais assumidos, gastou-se o primeiro bloco inteiro, do último programa antes da final da Copa, falando de Neymar e de como Neymar precisa resgatar sua imagem.

Os sujeitos são os que começam toda a perseguição e depois exigem do cara que ele faça alguma coisa pra terminar com ela, sendo que até então não há qualquer indício que o cara esteja incomodado.

Foi muito ridículo.

Os caras inventaram que Neymar tinha de se humanizar. Um tal de Tirone falou que ele tinha de dar alguma declaração, falar com a imprensa pra ser mais humano

hahahahaha

Chegou ao ponto de dizer que “o Fantástico faz entrevistas longas quando acontecem esses momentos. Mais debilóide, impossível.

Mermão, que coisa ridícula! Os caras estão se doendo demais porque um jogador de futebol, depois de jogar futebol, foi tocar sua própria vida.

Quando Neymar não fala com as empresas jornalísticas o negócio delas não gira. Neymar fez um post em sua rede pra milhões de seguidores e fim de papo. Está muito certo.

O rol de soluções sugeridos não acabou aí. Um mala rabugento sugeriu que Neymar contratasse um especialista em gerenciamento de crise. Outro falou em terapia.

Sei lá. Acho que é inveja falocentrica que eles têm do pai do Neymar. Vai ver eles desejam ser mãe do Neymar.

Craques migratórios

terça-feira, 10 de julho de 2018

Craques migram. Ou não.

  • CRISTIANO: Sporting, ManU, Madrid, Juventus.
  • NEYMAR: Santos, Barcelona, Paris.
  • SOBIS: Inter, Flu, Tigres, Cruzeiro.
  • MESSI: não sai no ninho do Barça, nem fodendo!

Agora, pelo critério migratório, quem está à frente de todos é o BARCOS, que já vestiu as camisas de Racing, Guaraní, Olmedo, Estrela Vermelha, Huracán, Shanghaï, Shenzhen, LDU Quito, Palmeiras, Grêmio, Tianjin, Sporting, Vélez e LDU Quito, antes de chegar ao Asilo da Toca.

Compensação

segunda-feira, 9 de julho de 2018

MERRECA de salário, grana curta no banco, sem jatinho, comendo só bucho, não sabe jogar bola, morar em Paris não pode, autógrafo e selfie ninguém pede. Fracasso! Bate o desespero e o caboclo decide fazer análise. SUS não oferece. Resta escrachar o Neymar, jogador terapêutico.

Fernandinho, um cara bem-sucedido

domingo, 8 de julho de 2018

FERNANDINHO, além dos 52 jogos pela Seleção Brasileira, tem os seguintes títulos na carreira de futebolista:

  • Brasileiro 2001, Paranaense 2001, 2002, 2005, Copa Sesquicentenário Paraná 2003, Copa Paraná 2003. Ucraniano: 2005, 2007, 2009, 2010, 2011, 2012, Copa da Ucrânia 2007, 2010, 2011, 2012, Supercopa Ucrânia 2008, 2010, 2012, Liga Europa 2008, Copa Liga Inglesa, 2013, 2015, 2017, Inglês 2013, 2017, Mundial Sub20 2003, Superclássico Américas 2014.

São 27 títulos. Quantos têm os pobres diabos que o ofenderam? Nenhum! São apenas uns escrotos prenhes de ressentimento, preconceito e burrice. Fracassados que deviam se limitar a lamber a chuteira do craque.

O gênio chato que vale a pena assistir na Copa

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O GÊNIO CHATO QUE VALE A PENA ASSISTIR NA COPA DO MUNDO

Em defesa do brasileiro Neymar da Silva Santos Júnior – e todas as suas travessuras

FRANKLIN FOER, 05jul18, The Atlenatic, CULTURA

Há um jogador transcendente deixado nesta Copa do Mundo, um jogador a quem o olho trilha irresistivelmente enquanto ele atravessa o campo – e, se você já o viu, provavelmente o odeia. Ou pelo menos você está sendo treinado para odiá-lo. Neymar da Silva Santos Júnior, do Brasil, é o tipo de ser humano que os especialistas ingleses e americanos do futebol, educados no culto do estoicismo masculino e propenso a sereios hipócritas sobre fair play, nasceram para desdenhar. E depois de seu desempenho exagerado no jogo que derrotou o México na segunda-feira, o ódio de Neymar viajou um pouco mais do que isso. O jornal brasileiro Globo publicou a manchete precisa: “Neymar encantou o Brasil, mas aborreceu o mundo inteiro”.

Mas aqui está o que supostamente os caracteriza: os críticos de Neymar desprezam suas contorções teatrais no chão após uma brisa acariciar seu pescoço; eles zombam de seus cabelos protéicos, que ele reestilizou quatro vezes nas últimas duas semanas. (Para ser justo, ele começou o torneio olhando, como alguns observadores notaram, como se ele tivesse artisticamente colocado um pacote de ramen cru em seu couro cabeludo.) Quando Neymar toca a bola, ele freqüentemente ignora o fato de que o campo está cheio de colegas de equipe. do mais alto calibre – e essa conveniência ditaria que ele passasse para eles. As palavras que você mais ouve associadas a Neymar são travessuras e adolescentes.

Mas esta Copa do Mundo é um momento para admitir o óbvio: o duopólio de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, que dominou o jogo global na última década, está em sua era tardia. Neste torneio, tanto Messi quanto Ronaldo desapareceram no jogo crucial de seu país. Eles pareciam exaustos e privados da criatividade e audácia que definiram suas carreiras. Nós podemos perdoar isso. A Copa do Mundo é um espetáculo que testa o corpo, chegando ao final de uma longa temporada e ocorrendo em condições de verão inóspitas a um esporte de resistência como o futebol.

No entanto, Ronaldo e Messi já se foram e Neymar está agora com a equipe favorita para vencer a Copa do Mundo – uma equipe que, ao que tudo indica, respeita respeitosamente sua genialidade e sente genuíno prazer em seu sucesso. Contra o México, um dos seus chutes desviados foi batido na rede por seu companheiro de equipe Roberto Firmino. Rompendo com as convenções das comemorações do gol, o Brasil se apressou em abraçar e empilhar em cima de Neymar, em vez do cara que marcou. O mundo pode considerar que Neymar seja mimado, mas seus compatriotas têm prazer em satisfazê-lo.

Quando Neymar recebe a bola, ele costuma fazer uma pausa antes de começar seu movimento. Ele quer congelar o defensor no lugar. Para todos aqueles que o observam, este momento representa um tipo muito específico de ponto de interrogação cinético. Porque quando Neymar toca a bola, tudo é possível. Ele pode se envolver em um ataque imprudente a três defensores – e, embora ele fracasse com frequência, ocasionalmente ele também prevalecerá. Ele poderia implantar um dos muitos truques que ele inventou, como a bola do arco-íris que ele jogou sobre a cabeça de um defensor costa-riquenho. Como o jornalista Tim Vickery, um ótimo explicador do jogo sul-americano, escreveu: “Neymar não é apenas dotado de habilidades espetaculares de bola, ele também é extraordinariamente mentalmente aguçado. Como Jake LaMotta em Raging Bull, há momentos em que ele parece estar vendo coisas em câmera lenta. Enquanto seu marcador é dominado pela velocidade de seu movimento, ele parece ter tempo de sobra para decidir o que quer fazer”.

Antes da primeira Copa do Mundo de Neymar, em 2014, a Nike produziu um anúncio que declarava “Ouse ser brasileiro”. O local acenou para a história recente do jogo brasileiro. As expectativas de sucesso pesam muito sobre o Brasil, já que seu sucesso no torneio ajudou a definir a identidade da nação. Depois de ter erguido a Copa do Mundo cinco vezes, ela pode suportar o fato de não vencer desde 2002. Para recuperar suas glórias passadas, a equipe voltou-se repetidamente para treinadores pragmáticos que encheram a equipe com jogadores que trabalhavam dentro de um sistema rígido. . Esse pragmatismo espremeu o núcleo espiritual do jogo brasileiro, dificultando a diferenciação da equipe em relação aos competidores.Neymar, como o anúncio sugeriu, representa o sonho de retornar ao estilo estiloso e improvisado de Pelé, Garrincha e Ronaldo, uma reversão ao que se chama futebol-arte. Isso é um pouco de pressão para colocar em uma pessoa de 26 anos – a pressão não apenas para ter sucesso, mas também a expectativa de que sua performance o colocará em um cânone de grandeza artística. Meu palpite é que essa pressão ajuda a explicar por que Neymar às vezes parece estar forçando o problema. Sua esperteza pode parecer mais artificial do que orgânica.

Desfrutar de Neymar requer perdoar as crises de sofrimento exagerado. Primeiro, precisamos considerar seu físico vulnerável. Ele é improvávelmente insignificante. Quando o joelho de um defensor obstrui o caminho de seu drible, ele é arremessado para o ar e depois flutua para o gramado como uma folha. Ao entrar em contato com o solo, ele participará de seu rolo de assinatura. Para alguém com tão pouca massa, é incrível que ele consiga o impulso de virar tantas vezes. Sim, este é o trabalho de um ator amador, o equivalente futebolístico de uma cena de morte que nunca termina.

Este pequeno melodrama pode ser explicado e justificado. Para parar um jogador com a velocidade e imprevisibilidade de Neymar, seus oponentes devem recorrer a sujá-lo. Qualquer pessoa familiarizada com a história do futebol brasileiro sabe que essa agressão pode ser ruinosa. Custou o Brasil a Copa do Mundo em várias ocasiões. Em 1966, os búlgaros atacaram Pelé, forçando-o a perder jogos – e depois os portugueses fizeram o mesmo, quando ele voltou para a programação. As mesmas táticas foram usadas contra Neymar na última Copa do Mundo, quando o joelho de um defensor colombiano entrou em Neymar, quebrando uma vértebra nas costas. Os médicos disseram a Neymar que ele tinha acabado de escapar de uma lesão que o teria paralisado, e isso o manteve de lado por toda a duração da Copa do Mundo. Não há dúvida de que a lesão arruinou as esperanças do Brasil de vencer a edição de 2014 do torneio, que terminou na catastrófica derrota do país por 7 a 1 para a Alemanha. Sujar um jogador indescritível como Neymar talvez seja uma tática compreensível, mas também é compreensível que Neymar usasse tudo em seu arsenal para chamar atenção para essa agressão. Suas reações exageradas são apelos para as intervenções protetoras dos árbitros.

O truque de Neymar merece absolvição, porque é a própria fonte de sua grandeza. Uma mente que está sempre pensando em como enganar um defensor também está sempre pensando em como enganar um árbitro. Astúcia é o seu estoque e comércio. Desta forma, a descrição do “adolescente” se encaixa. Ele é como o adolescente que encontra uma desculpa engenhosa e improvável; ele é Ferris Bueller correndo para casa. Mas ao contrário de seus oponentes, que desejam infligir dor, seus pecados são essencialmente sem vítimas – especialmente desde que este torneio introduziu árbitros assistentes de vídeo, com suas travessuras constantemente sendo revistas pelo replay. (Árbitros assistentes em vídeo teriam capturado Ferris Bueller antes do final do segundo período.)

Esta tem sido uma Copa do Mundo imensamente satisfatória, com mais do que sua parcela de surpresas e finalizações de última hora. E talvez uma grande Copa do Mundo precise de um vilão para todos se unirem. Ainda assim, em vez de juntar-me a um pânico moral contra Neymar, recomendo que aprecie seu espírito de jogo, sua falsidade, até mesmo seu egoísmo – já que Neymar almeja alcançar algo mais que um resultado; ele quer se provar o digno herdeiro de uma grande tradição.

FRANKLIN FOER é correspondente nacional do The Atlantic. Ele é o autor do World Without Mind e como o futebol explica o mundo: uma teoria improvável da globalização. Ele é o ex-editor da The New Republic.