Arquivo da Categoria ‘Miscelânea’

Utopia natalina do poeta

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Organiza o Natal

Carlos Drummond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

LIVRO: “Cadeira de Balanço”, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Top 10 dos programas de televisão

domingo, 3 de março de 2019

Top 10 dos programas de televisão segundo minha patroa, Dona Fátima:

  1. Terra de Minas, Globo, sábado, às 14h.
  2. Senhor Brasil, com Rolando Boldrin, Cultura, domingo às 10h.
  3. Prelúdio, Cultura, domingo, às 12h.
  4. This is Opera, Films & Arts e Arte Um, quarta, 21h30.
  5. Globo Repórter, Globo, sexta, às 22h.
  6. The Noite, com Danilo Gentilli, Sbt, segunda sexta, 23h.
  7. Um pé de quê?, com Regina Casé, Futura.
  8. Cozinha Prática, com Rita Lobo, GNT,
  9. Trato Feito, History Channel
  10. Decora, com Maurício Arruda, GNT.

E as suas indicações, caro leitor?

Brumadinho

sábado, 26 de janeiro de 2019

Pitacos acerca da tragédia de Brumadinho:

  • HÁ 50 BARRAGENS inseguras em Minas. A de Brumadinho não estava entre elas. O que vem por aí? Quem sucateou o Ibama e o Dnpm?
  • PARAÍSO DAS ANTAS. Restaurante e escritórios na rota da lama! No Brasil, a cultura do descuido é mais forte do que a engenharia.
  • OLHO NO LANCE! Barragens, encostas, pontes, túneis, redes pluviais, viadutos, árvores, marquises, bueiros, calçadas, estradas, boates, prédios, postes, ciclovias.
  • FRANCO MONTORO, num debate eleitoral: “Não prometo construir, mas prometo manter o que já está feito”.
  • EXCEÇÕES. Fernando Gabeira e Gerardo Portela disseram coisa com coisa, o que é raro na Globonews. Pesquisem.

Deixe seu comentário, caro leitor.

A volta do Milani

sábado, 20 de outubro de 2018

GUSTAVO MILANI MARTINS voltou e postou esta mensagem. 

Sou leitor antigo do PHD. Durante uma pequena fase comentei bastante aqui, Na maior parte do tempo, contudo, fui um só um observador silencioso. Mas fazia muito tempo (seis meses, talvez) que eu não aparecia nem pra ver os comentários dos amigos.

Hoje, porém, na primeira final que acompanhei sozinho, lembrei-me daqui. Lembrei dos textos afiados do Síndico, das voadoras do Evandro, do grande amigo (ainda virtual) que fiz aqui, Walterson; da sensatez do Mauro França, das brigas do Dylan com o Binho, do mestre Elias, cruzeirense da prateleira de cima, do Arthur, dos irmãos Anchieta, do Serelo, Xina, Walmiro, Olivieri, Romarol (incansável), Vilela, dos Mat(h)eus, Chaves e Penido; da ala feminina muito bem representada por Celeste, Beth, Moema, Simone, Mariana… E tantos outros que não citei.

Mas o que eu quero dizer é que no meu momento de maior “solidão futebolística”, lembrei-me de onde eu me sentia muito bem, em casa. E se eu senti assim (e ainda me sinto, mesmo após tanto tempo) é por culpa de vocês, que mesmo com tantas diferenças, tanta coisa que nos afasta, temos uma coisa muito maior que nos une: O AMOR PELO NOSSO CRUZEIRO.

Muito obrigado, Síndico e amigos. Hoje a noite é de comemoração. Somos HEXA. Somos os maiores do país. ZEEEEEIIIIIROOOO!!!

Chico Duro, o craque e o livro

quinta-feira, 28 de junho de 2018

MARCELO MACHADO, jornalista, escreveu um livro. Eis o realease:

Chico Duro, a história de um craque valadarense

“Se você jogar metade da bola que o seu pai jogou, vai ficar milionário.”

Assim como todo filho de craque (ou suposto craque) de futebol, eu cresci ouvindo essa frase. Era quase um mantra repetido por todos que viram o meu pai jogar em Governador Valadares e região.

Centroavante magro, rápido e habilidoso, com um drible longo, Francisco Oliveira Silva, o Chico ou Chico Duro, chutava tão bem com as duas pernas que era difícil cravar se era destro ou canhoto.

Compensava a estatura mediana (1,75m) com uma impulsão acima da média e uma precisão letal no cabeceio. Talvez porque executasse o fundamento à maneira Pelé, ou seja, com os olhos arregalados para enxergar o lance completo e ver a bola ganhar a rede.

Chico Duro capitaneou uma conquista estadual do time de futebol de salão do Ilusão Esporte Clube, em 1960, quando fez cinco gols na goleada por 9 a 1 sobre o Siderúrgica, na decisão disputada em Belo Horizonte.

Integrou o Clube Atlético Pastoril, o CAP, um mítico time amador valadarense que encarava de igual para igual os grandes esquadrões nacionais em amistosos nos anos 50/60.

O brilho maior de Chico Duro, porém, foi no Democrata. Basta dizer que a maior vitória democratense sobre o Atlético Mineiro em toda a história, 3 a 1, em 1963, teve o centroavante como protagonista e autor de um gol.

Chico Duro, porém, disse não ao futebol. Recusou proposta do Bahia e do próprio Atlético. Antes, não topara fazer parte do juvenil do Cruzeiro. Isso após marcar um gol de bicicleta durante um treino avulso pela equipe, no Barro Preto.

“O Chico era melhor que o Pelé”, exagera Vicente, um ex-companheiro dos tempos de Ilusão e Democrata. “Quem é Pelé?”, provoca Julio Tostes, outro fã do craque valadarense. “Jogava como o Ronaldo (Fenômeno)”, assegura Dorcelino, um pintor de paredes que não perdia um jogo sequer de Chico.

Com 200 páginas, 32 capítulos e galeria de fotos, o livro sobre este personagem nacionalmente anônimo, de fama apenas local, já está concluído. Traz a história de um homem comum do interior do Brasil. Trajetória esta que envolve nomes como Getúlio Vargas, JK, Garrincha, Pelé, Castilho, Procópio, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Gonzaguinha, Agnaldo Timóteo e outras personalidades.

A contextualização histórica garante à obra o papel de contribuir para a preservação da memória de Valadares e região, com um resgate de fatos que marcaram a economia, a política, o esporte e a cultura valadarense nos anos 40, 50 e 60.

Em tempo: como não joguei nem metade da bola que ele jogou, não me tornei um milionário. Mas eu fazia os meus golzinhos também. E sigo batendo com as duas…

Corações divididos

quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Num esforço de pesquisa, o PHD descobriu o segundo time de cada comentarista do blog. Confiram: 

  • Romarol (Peñarol), Franca (Francana), Setelagoas (Bela Vista), Polaco (Legya), Zuloobas (Zulia), Chaves (Chaves), Velloso (Velo), Barros (Barroso), Mariana (Resende), Frede (Frederiquense), Celeste (Napoli), Arreguy (Estrela Vermelha), Tato (Tottenham), Vilela (Vila), Penido (Avenida), Braga (Bragantino), Beth (Bétis), Clemenceau (Pescara), Sobrinho (Sobradinho), Raher (Fazenda), Galvão (Galvez), Luizito (Carabobo).

Nenhuma segundo time desses cruzeirenses foi escolhido ao léu. Todos têm alguma afinidade com o torcedor. 

Convocação pra Copa

segunda-feira, 14 de Maio de 2018

TITE vai convocar a Seleção da Copa, daqui  pouco.

Três jogadores do Cruzeiro podem ser chamados: Fábio, o melhor goleiro brasileiro, Edílson, que se considera amigo do técnico, e Dedé, o maior ídolo da torcida celeste.

Pode, contudo, aparecer o nome de mais um cruzeirense: eu. Tenho alguns críticos severos, mas Tite é justo e não vai dar papo pra essas bestas.

Agora, vou dormir. Se meu nome aparecer na telinha, postem a notícia aqui no PHD.

P.S: Foram convocados: Alisson, Ederson, Cássio (G), Fagner, Danilo, Marcelo, Filipe (L), Miranda, Thiago, Geromel, Marquinhos (B). Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Fred (V),  Augusto, Coutinho, Willian (M), Neymar, Firmino, Jesus, Taison, Douglas (A).

Tempos idos

sexta-feira, 30 de março de 2018

ESSE TEMPO

Álvaro Faria

Sexta-Feira Santa me leva à infância.
O silêncio da casa.
No rádio, só música clássica.
Nada de jogar bola na rua.
Lembro-me que eu me sentia profundamente triste.
Um dia de falar baixo.
Um dia de silêncio.
De muito respeito.
Eu agradeço ter vivido esse tempo.

Neste País desarmado…

quinta-feira, 15 de março de 2018

BRASIL TEM 164 ASSASSINATOS POR DIA.
Antes da Vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro (por que se esquecem dele?), foram mortos, pra mencionar apenas autoridades:
O ex-vice prefeito de Ourolândia, José Roberto Soares Vieira, que delatou cúmplices à Lavajato;
A Juíza Patrícia Acioli, que condenou policiais corruptos no Rio de Janeiro;
Os auditores fiscais do trabalho Erastóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista do Ministério do Trabalho Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em Unaí;
O promotor Francisco José Lins do Rêgo Santos, que investigava postos de gasolina em Belo Horizonte;
O prefeito Celso Daniel, de Santo André;
O prefeito Toninho, de Campinas;
O prefeito Walderi Braz Paschoalin, de Jandira;
O prefeito Esvandir Antonio Mendes, de Colniza;
O prefeito Waldemir Antônio da Silva, de Novo Santo Antônio;
A deputada federal de Alagoas, Ceci Cunha;
O prefeito Antônio Luiz César de Castro, de Nova Canaã;
O vereador Marcelino Chiarello, de Chapecó;
A perita do INSS, em Governador Valadares, Maria Cristina Felipe da Silva;
E os milhares de cidadãos anônimos cujas mortes são lamentadas apenas nos círculos familiares.
Este é o Brasil. Sem armas. Mas com políticos, traficantes, milicianos e muitos jornalistas contestando juízes e brigando pra impedir a intervenção das Forças Armadas na segurança pública.
No Rio de Janeiro, ao menos, existe alternativa pra combater a violência, a curto prazo?

Top 5 das praias brasileiras

sexta-feira, 19 de Maio de 2017

SÍNDICO, fiquei lhe devendo um Top 5 turístico. O Top 5 que escrevi anteriormente ficou com cara de “Merchan” e desisti dele. Mas lhe envio este sobre praias que conheço no Brasil. Se for do seu agrado, publique, se não for, não se acanhe em jogar na lixeira.

  1. BAIA DO SANCHO (Fernando de Noronha, PE) Paa chegar tem que descer uma escadaria de 50 metros que se tem acesso por uma abertura entre as rochas. Pessoas com fisico “avantajado” como Evandrão ou Sobrinho ficariam entalados nesta abertura, mas vale a pena tentar. Quando chegamos na areia, vimos que a praia é maravilhosa. Mas é bom não gastar toda energia, porque na volta tem que subir esta escadaria. Pra Noronha há voos da Trip e da Gol,. Os preços são altos, mas vale a pena ir pelo uma vez. Depois, é administrar a vontade de voltar.
  2. AVENTUREIRO (Ilha Grande, RJ) Fica na parte oceânica da ilha, tem areia fina e mar azul. Complicado é chegar lá. Ideal é por lancha, mas dá pra chegar também por trilha. É a mais bonita da Ilha Grande e foi uma difícil escolha já que as praias na Ilha Grande são rodas belíssimas. Pra chegar à Ilha Grande tem que pegar balsa em Angra dos Reis ou Mangaratiba.
  3. PIPA (RN) Estando em Natal é imprescindível separar um dia pra ir até lá. Fica a 80 km de Natal e dá pra conhecer bem num dia, mas pra quem quiser ficar mais tempo, a cidade oferece muitas opções de hospedagem  pra todos os bolsos, O estilo é de vila de pescadores, muito agradável. O mais econômico pra ir a Natal é comprar pacotes de uma semana que os operadores oferecem, com preços bem convidativos.
  4.  BARREIRA DO BOQUEIRÃO (AL) A melhor maneira para chegar é alugando carro em Maceió pra seguir em direção ao litoral norte e ir parando em várias praias até chegar em Maragogi, onde é preciso atravessar de balsa um rio, pois uma ponte ainda não está pronta dez anos depois de iniciada a construção.
  5. ITACAREZINHO (Itacaré, BA) Extensa e com Coqueirais, típica do Sul da Bahia. Fui lá duas vezes e voltaria dezenas de outras vezes. No final da praia existe ma queda de água doce, que dá um charme especial à praia. Itacaré fica erro de Ilhéus que recebe voos direto de BH. Os pacotes têm preços excelentes. Custo beneficio interessante.Saudações cruzeireses, Rogério Bastos, da Potencial Turismo.