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Entrevista com o filho do Chico Duro

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

ENTREVISTA com Marcelo Machado, autor do livro Chico Duro.

  1. Seu nome, seu bairro?

 Marcelo Machado, bairro Ouro Preto, Belo Horizonte.

  1. Quem te fez, quando e onde te puseram no mundo?

Yolanda e Chico Duro, em Governador Valadares, 06dez71.

  1. Que time é teu de infância: Pastoril ou Democrata?

Cruzeiro sempre! Com carinho pelo Democrata e admiração pelo legendário Pastoril.

  1. Em que escolas vc cabulou as aulas, da infância até a veiêra?

Chapeuzinho Vermelho, Colégio Ibituruna, Puccamp, UniBh e Ufmg.

  1. Jornalismo por quê? Não deu conta de passar no vestibular do Ita?

O meu sonho era fazer cinema, mas para quem cresceu lendo o JB, a comunicação foi uma escolha certa.

  1. Quando vc veio a dar com os costados em Belzonte?

Fiz cursinho pré-vestibular em BH em 1990, mas só em 1997 vim em definitivo para BH, uma cidade que aprendi a amar e valorizo cada vez mais. Não sei viver sem queijo, pão de queijo, torresmo e cachaça. E aqui acha tudo isso com muita qualidade.

  1. Por que vc trabalhou, se tem uma baita herança (sem impostos) pra receber? E em que órgãos (no bom sentido) labutou?

(Risos)… Ai de mim se não seguir ralando. Já rodei mais que o Dadá Maravilha. O Tempo, Diário do Rio Doce, LANCE!, Rede Minas, Globoesporte.com, A Tarde (Salvador), Hoje em Dia, Prefeitura de Belo Horizonte, sem contar serviços prestados à Folha de São Paulo e ao Estadão.

  1. Vc escreveu um livro pensando em ganhar dinheiro? Ninguém te avisou antes, que livro dá fama, mas não rende dividendos?

Se der pra pagar algumas cervejas artesanais e uma cachacinha da boa, está valendo.

  1. Chico Duro é lenda, realidade ou miragem? Governador Valadares tinha como competir com Três Corações quando certos pais bimbavam pra produzir craques? Tinha ao menos campo de futebol em Goval?

Chico é uma realidade, com pitadas de lenda. Quem o viu jogar de 1958 a 1964, principalmente, assegura que tinha futebol para jogar ao lado de Pelé. Será? Goval tinha campos como o do Colégio Ibituruna, do Pastoril e do próprio Democrata.

  1. Se um caboclo quiser comprar seu livro, quantas centenas de reais ele terá que torrar? E onde pode encontrá-lo (o livro, não o senhor, evidentemente)?

O livro custa apenas 40 temers, mas o JAS vai ganhar um porque está dando moral. Quem quiser adquirir, basta entrar em contato comigo mesmo. Wsapp: (31) 9.9989-1971.

  1. Oliú já te consultou querendo comprar a história prum filme? Se o senhor topar, quem indicará pra ser o chico Duro no cinema?

Estou esperando o telefone tocar ainda. Antonio Banderas ou Javier Bardem cairiam bem no papel.

  1. A imprensa escrita tem futuro? Em Cuba, o povo limpa a bunda com páginas o Granma (por uma questão de higiene, mas do que ideologia). Chegaremos a este ponto neztepaiz?

Como modelo de negócio, não vejo futuro algum no impresso. Já morreu.

  1. Vc continuará escrevendo livros ou pretende voltar a ser uma pessoa normal, gastando tempo nos botequins?

Vou seguir trabalhando com comunicação, marketing político, escrevendo livros, comendo queijo, pão de queijo, torresmo, bebendo uma gelada e degustando uma cachacinha mineira.

  1. Por falar em botecos, onde vc faz ponto em Beagá e Goval? Indique os melhores. Aproveita e d6e umas dicas de puteiros pros leitores doeztegroque.

Por increça que parível, não ando botecando na capital dos botecos, mas onde houver uma Heineken (pelo menos), uma Sabicana, torresmo de barriga, uma linguiça caipira, eu estarei disponível para ir, aqui, lá e acolá.

  1. Se te dessem uma mesa redonda pra mediar, quais os quatros jornalistas ou ex-boleiros vc convidaria pra compô-la?

Juca Kfouri, Pelé, Maradona e George Best.

  1. Quais os melhores livros sobre futebol que vc já leu?

Confesso não ter lido muitos. Nenhum dos que li é tão bom como o do Agassi. Bem… Ficaria com o do Garrincha (Ruy Castro).

  1. Vc já teve mulheres? Fez filhos? Plantou árvores? Ou começou de trás pra frente, escrevendo livros antes de tudo?

Comecei fazendo filhos para herdarem as dívidas. O livro é o primeiro de muitos, espero. Quero plantar muitas árvores -cajá manga e siriguela, principalmente.

  1. Seu Cruzeiro de Todos os Tempos, por favor.

Fábio — Nelinho, Perfumo, Dedé, Sorín — Piazza, Zé Carlos, Alex, Dirceu Lopes – Tostão, Joãozinho.

  1. Que Brasil vc quer para o futuro?

Um Brasil com menos bolsoasnos já seria um bom começo

  1. Em 1985, comprei duas garrafas de Havana, na mão do seu Anísio, em Salinas. Meu plano era abri-las pra comemorar um titulo mundial do Cruzeiro. Vc acha que devo continuar guardando essas aguardentes ou é melhor leiloá-las, pois jamais terei motivos pra degustá-las?

Nem uma coisa nem outra. Vamos começar a degustá-las a partir de quarta, 08Ago, quando o Cruzeiro começa a decidir a vaga às quartas de final contra o Flamengo na Libertadores.

Chico Duro, o craque e o livro

quinta-feira, 28 de junho de 2018

MARCELO MACHADO, jornalista, escreveu um livro. Eis o realease:

Chico Duro, a história de um craque valadarense

“Se você jogar metade da bola que o seu pai jogou, vai ficar milionário.”

Assim como todo filho de craque (ou suposto craque) de futebol, eu cresci ouvindo essa frase. Era quase um mantra repetido por todos que viram o meu pai jogar em Governador Valadares e região.

Centroavante magro, rápido e habilidoso, com um drible longo, Francisco Oliveira Silva, o Chico ou Chico Duro, chutava tão bem com as duas pernas que era difícil cravar se era destro ou canhoto.

Compensava a estatura mediana (1,75m) com uma impulsão acima da média e uma precisão letal no cabeceio. Talvez porque executasse o fundamento à maneira Pelé, ou seja, com os olhos arregalados para enxergar o lance completo e ver a bola ganhar a rede.

Chico Duro capitaneou uma conquista estadual do time de futebol de salão do Ilusão Esporte Clube, em 1960, quando fez cinco gols na goleada por 9 a 1 sobre o Siderúrgica, na decisão disputada em Belo Horizonte.

Integrou o Clube Atlético Pastoril, o CAP, um mítico time amador valadarense que encarava de igual para igual os grandes esquadrões nacionais em amistosos nos anos 50/60.

O brilho maior de Chico Duro, porém, foi no Democrata. Basta dizer que a maior vitória democratense sobre o Atlético Mineiro em toda a história, 3 a 1, em 1963, teve o centroavante como protagonista e autor de um gol.

Chico Duro, porém, disse não ao futebol. Recusou proposta do Bahia e do próprio Atlético. Antes, não topara fazer parte do juvenil do Cruzeiro. Isso após marcar um gol de bicicleta durante um treino avulso pela equipe, no Barro Preto.

“O Chico era melhor que o Pelé”, exagera Vicente, um ex-companheiro dos tempos de Ilusão e Democrata. “Quem é Pelé?”, provoca Julio Tostes, outro fã do craque valadarense. “Jogava como o Ronaldo (Fenômeno)”, assegura Dorcelino, um pintor de paredes que não perdia um jogo sequer de Chico.

Com 200 páginas, 32 capítulos e galeria de fotos, o livro sobre este personagem nacionalmente anônimo, de fama apenas local, já está concluído. Traz a história de um homem comum do interior do Brasil. Trajetória esta que envolve nomes como Getúlio Vargas, JK, Garrincha, Pelé, Castilho, Procópio, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Gonzaguinha, Agnaldo Timóteo e outras personalidades.

A contextualização histórica garante à obra o papel de contribuir para a preservação da memória de Valadares e região, com um resgate de fatos que marcaram a economia, a política, o esporte e a cultura valadarense nos anos 40, 50 e 60.

Em tempo: como não joguei nem metade da bola que ele jogou, não me tornei um milionário. Mas eu fazia os meus golzinhos também. E sigo batendo com as duas…

Tempos idos

sexta-feira, 30 de março de 2018

ESSE TEMPO

Álvaro Faria

Sexta-Feira Santa me leva à infância.
O silêncio da casa.
No rádio, só música clássica.
Nada de jogar bola na rua.
Lembro-me que eu me sentia profundamente triste.
Um dia de falar baixo.
Um dia de silêncio.
De muito respeito.
Eu agradeço ter vivido esse tempo.

Netflix de carnaval

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sugestões de filmes disponíveis no Netflix pra este carnaval, pela GAZETA DO POVO.

  1. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (It’s A Wonderful Life, 1946, EUA) — Diretor: Frank Capra. George Bailey (James Stewart) é um sujeito frustrado. Os seus sonhos não se realizaram e a sua existência foi inteiramente dedicada aos outros. Cansado da vida que leva, ele decide se suicidar. Porém, a visita de um anjo lhe fará repensar essa decisão.  Este talvez seja, ao lado de Casablanca, o maior clássico do cinema norte-americano. Até os dias de hoje, é visto religiosamente por antigas e novas gerações. Basta chegar a época do Natal para que as pessoas o revisitem ou o vejam pela primeira vez. A sua história de vida em comunidade, a maneira como reforça o poder da família e a descoberta do protagonista de que o amor pelo próximo pode ser uma vocação são profundamente inspiradoras. É impossível não se comover com os erros e acertos de George Bailey.
  2. OS DEZ MANDAMENTOS (The Ten Commandments, 1956, EUA) — Diretor: Cecil B. DeMille. Baseado na narrativa bíblica, o filme mostra a vida de Moisés (Charlton Heston) desde o seu nascimento até a velhice, passando pela carreira bem-sucedida como general, o recebimento dos Dez Mandamentos, a condução dos hebreus pelo deserto e a divisão do Mar Vermelho. No livro A Política da Prudência, Russell Kirk elenca os dez princípios conservadores. O primeiro deles é crença numa ordem moral transcendente. Ora, Os Dez Mandamentos é o filme que narra justamente a origem dos preceitos morais que guiaram as principais religiões do Ocidente e influenciaram parcialmente as leis sociais. Além disso, houve uma época em que os épicos bíblicos eram uma das principais atrações do cinema hollywoodiano. Não por acaso, o maior nome desse gênero cinematográfico foi Cecil B. DeMille e Os Dez Mandamentos é o seu melhor longa.
  3. BRAZIL, O FILME (Brazil, 1985, Inglaterra) — Diretor: Terry Gilliam. Em um futuro distópico, no qual a tecnologia e o governo exercem um poder opressor, um simples funcionário administrativo (Jonathan Pryce) tenta corrigir um erro e é considerado inimigo do Estado. No campo político, uma das coisas que os conservadores mais desprezam é o crescimento do Estado. Em Brazil –O Filme, por meiode uma sátira política, o público percebe como a burocratização estatal, quando elevada a níveis insuportáveis, se transforma num pesadelo para os cidadãos e uma inimiga da liberdade individual. Terry Gilliam disse que o título se originou do exotismo e do poder de escapismo que a palavra Brazil poderia ter para o morador de uma cidade cinzenta e industrial. No entanto, os brasileiros, diante da trama do filme, sabem que o título tem significado muito maior.
  4. A ÁRVORES DA VIDA (The Tree Of Life, 2011, EUA) — Diretor: Terrence Malick. Paralelamente a uma narrativa que recria a origem dos cosmos e as primeiras manifestações de vida, é mostrada a tentativa de reconciliação de Jack (Sean Penn) com a família, o passado, a cidade natal e Deus.  É o mais hermético desta lista. A montagem fragmentada, a narração em off e as narrativas paralelas costumam afastar o público. No entanto, quem tiver a coragem de enfrentar essas dificuldades será recompensado com uma obra de arte visualmente estonteante e uma história impactante de reconciliação e amores divino e familiar.
  5. ERA UMA VEZ EM NOVA YORK* (The Immigrant, 2013, EUA) — Diretor: James Gray. Na década de 1920, a imigrante polonesa Ewa Cybulski (Marion Cotillard) chega aos Estados Unidos, mas logo é separada da irmã na alfândega quando descobriram que esta se encontra doente. Sozinha em Nova York, ela trabalha como prostituta para o cafetão Bruno Weiss (Joaquin Phoenix). O que a faz continuar esperançosa é a fé de reencontrar a irmã e voltar pra Polônia. James Gray é o melhor diretor entre os que surgiram nos meados da década de 1990 e esta  é a sua obra-prima. Mostrando destreza técnica e fazendo referências visuais aos filmes da trilogia O Poderoso Chefão, ele pinta um retrato da guerra travada entre os valores tradicionais da personagem conservadora e a corrupção moral de uma sociedade em transformação. Como em todos os seus filmes, a fé e os valores que a estruturam são essenciais pra que a protagonista permaneça forte e persistente num mundo repleto de saídas fáceis. Pra achar esse filme no catálogo é deve-se digitar “A Imigrante”.
  6. ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge, 2016, EUA e Austrália) — Diretor: Mel Gibson, Desmond Doss (Andrew Garfield) é um patriota que deseja defender os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, mas em razão de sua religião ―Adventista do Sétimo Dia― e de um trauma familiar, se recusa a pegar em armas. Inicialmente, isso se torna um problema, já que os outros membros do exército não se sentem confortáveis com essa posição. Posteriormente, quando sua coragem e seus talentos como socorrista se revelam da mais alta importância, a percepção dos seus parceiros muda. Outros filmes de Mel Gibson poderiam estar aqui (Coração Valente e A Paixão de Cristo), mas além de ser o único disponível na Netflix, Até o Último Homem é o filme mais bem-resolvido do diretor. As principais características de Gibson estão presentes: o homem simples capaz de realizar atos heroicos, a violência catártica e cenas tecnicamente complexas (a batalha no topo da montanha é assombrosa). A recusa do protagonista em se armar até mesmo na guerra pode causar estranheza, mas é importante lembrar que isso não se deve a uma posição política ou social, mas por motivos pessoais e religiosos.
  7. FIRST THEY KILLED MAY FATHER (2017, Camboja e EUA) — Direção: Angelina Jolie. Durante o genocídio cambojano, perpetrado pelos comunistas, a jovem Loung Ung (Sareum Srey Moch) luta pra sobreviver e se reencontrar com os familiares.  É um filme irregular. Angelina Jolie ainda caminha em direção a um estilo cinematográfico e é possível ver que algumas escolhas são inferiores às outras. Entretanto, isso não impede que haja momentos emocionantes (muitos envolvendo o amor entre a protagonista e os familiares) e que a história mostre ao espectador como o totalitarismo do regime comunista foi um dos maiores males que já assolaram o mundo.

O gajo é Deus?

domingo, 31 de dezembro de 2017

ANABELA NATÁRIO

Era uma vez um gajo que era Deus. Quem quiser que não acredite, mas o tipo era Deus. Ela não sabia se era Cristo, Alá, se Jeová, se Buda, se até ex-faraó, mas só podia ser verdade. Toda a gente dizia que era Deus. E se toda a gente o diz…

São tantas as pessoas que lhe gritam o nome e o inscrevem em tudo o que rola… É Deus. Cristina tem tanta certeza que passou ao grupo de amigos a sua crença, apontando o dedo para Deus. De todos, Jorge era quem mais dúvidas levantara; achava aquilo um pouco disparatado, mas ela, normalmente, não mentia; conhecia-a bem, quando fugia à verdade espetava o dedo mindinho e nada disso acontecera na videoconversa. Se calhar encontrara-o… Ela apontava para um lugar vazio…

De início, ela telefonava-lhe e só lhe dizia, é Deus, estou-te a dizer! Por mais que lhe tentasse arrancar uma explicação, ela limitava-se a afirmar: Deus, mas Deus mesmo, aquele. Agora, o assunto tornara-se mais sério, ela queria levá-lo para a passagem de ano; e ele…

Jorge pondera que dizer, que fazer. Ele nem sequer é daquelas pessoas que acreditam numa só versão dos acontecimentos. Quem consegue contar uma história sem se desviar um milímetro da primeira versão escutada? É jornalista, por deformação profissional, procura factos sobre o ponto que habitualmente se acrescenta ao conto. O tipo chamava-se Deus, e depois? Há vários por aí.

Mas Cristina insistia:

— Não é só o nome. É ele, eu estive com ele. Estou com ele.

Jorge questionou, pesquisou, escarafunchou, só o facto de ser inverosímil o leva ainda a duvidar, e, claro, o facto de ser ateu. Pensou que Cristina exagerara, que as vibrações do amor lhe haviam estremecido o cérebro, distorcido as reações. Quando ela se apaixona, descontrola-se-lhe a química, estranhas verdades ocupam-lhe o espaço do raciocínio.

É óbvio que está a precisar de desanuviar a cabeça com outros pensamentos, esta pressão dos jornais, esta coisa stressante de esperar à secretária que caia a notícia, um toque de campainha, um rolar na rede, uma polemicazita…

Conforme foram trocando conversas, Jorge foi passando por diversos estágios de compreensão. O que teria acontecido à sua amiga, uma mulher experiente nas várias faces da vida?

É Deus, pronto, tem de o convidar para a festa, também não deve dar muita despesa, pensou, vencido pelo cansaço.

Um conto de Natal

domingo, 24 de dezembro de 2017

LEON TOLSTOI

Um aldeão russo, muito devoto, constantemente pedia em suas orações que Jesus viesse visitá-lo em sua humilde choupana.

Na véspera do natal ele sonhou que o Senhor iria aparecer-lhe. Teve tanta certeza da visita que, mal acordou, levantou-se e começou a pôr a casa em ordem para receber o hóspede tão esperado.

Uma violenta tempestade de granizo e neve acontecia lá fora e o aldeão continuava com os afazeres domésticos, cuidando também da sopa de repolho, que era seu prato predileto. De vez em quando ele observava a estrada, sempre à espera.

Decorrido algum tempo, o aldeão viu que alguém se aproximava caminhando com dificuldade em meio a borrasca de neve. Era um pobre vendedor ambulante, que conduzia às costas um fardo bastante pesado.

Compadecido, saiu de casa e foi ao encontro do vendedor. Levou-o para a choupana, pôs sua roupa para secar ao calor da lareira e repartiu com ele a sopa de repolho. Só o deixou ir embora depois de ver que ele já tinha forças para continuar a jornada.

Olhando de novo através da vidraça, avistou uma mulher na estrada, coberta de neve. Foi buscá-la e abrigou-a na choupana. Fez com que ela sentasse próximo à lareira, deu-lhe de comer, embrulhou-a em sua própria capa… Não a deixou partir enquanto não readquiriu forças suficientes para a caminhada.

A noite começava a cair… E nada de Jesus! Já quase sem esperanças, o aldeão novamente foi até a janela e examinou a estrada coberta de neve. Distinguiu uma criança e percebeu que ela se encontrava perdida e quase congelada pelo frio… Saiu mais uma vez, pegou a criança e levou-a para a cabana. Deu-lhe de comer, e não demorou muito para que a visse adormecida ao calor da lareira.

Cansado e desolado, o aldeão sentou-se e acabou por adormecer junto ao fogo. Mas, de repente, uma luz radiosa iluminou tudo! Diante do pobre aldeão, surgiu risonho o Senhor, envolto em uma túnica branca.

– Ah Senhor! Esperei-o o dia todo e não aparecestes, lamentou-se o aldeão…

E Jesus lhe respondeu:

– Já por três vezes, hoje, visitei tua choupana: o vendedor ambulante que socorrestes, aquecestes e destes de comer, era eu. A pobre mulher a quem deste a capa, era eu. E essa criança que salvaste da tempestade também sou eu. O bem que a cada um deles fizeste, a mim mesmo o fizeste.

O urbanista genial e o caudilhete paroquial

sábado, 16 de dezembro de 2017

JAIME LERNER está completando 80 anos. Ele fez de Curitiba a melhor cidade grande pra se viver neztepaiz.

Curitiba oferece mais qualidade vida a seus habitantes do que qualquer cidade de seu porte no mundo inteiro.

Claro, claro, não conheço todas presencialmente, mas hoje em dia, num planeta inundado por imagens e infos, isto é apenas um detalhe.

Beagá e outras cidades brasileiras tentam, tardiamente, copiar projetos implantados por Lerner na Curitiba de 40 anos atrás.

Perguntado por um jornal da cidade sobre o que acha de Lerner, o caudilhete paroquial, Roberto Requião, vomitou: “Foi um bom paisagista de cidades”.

Lerner, urnamista incensado no mundo inteiro respondeu: “Eu já nem lembrava do Requião, mas percebo que pra ele eu sou inesquecível”. 

A inspeção e o controle

sábado, 19 de agosto de 2017

Trecho de “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera:

NOS PAÍSES COMUNISTAS, a inspecção e o controle dos cidadãos são atividades sociais permanentes e essenciais. Um pintor, para ser autorizado a expor, um simples cidadão, para obter um visto para passar férias à beira-mar, um futebolista, para poder jogar na selecção nacional, têm primeiro que recolher os mais variados relatórios e certificados (da porteira, dos colegas, da polícia, da célula do partido, do comité da empresa), que depois são amontoados, sopesados, lidos e relidos por funcionários especialmente afeitos a essa tarefa.

O que vem escrito nos atestados não tem absolutamente nada a ver com a competência de um cidadão para pintar ou jogar à bola ou com um estado de saúde que exija uma estada à beira-mar. Só contêm informações a respeito de uma coisa que é o chamado perfil político” do cidadão (aquilo que o cidadão diz, aquilo que pensa, a maneira como se comporta, se vai ou não às reuniões e aos desfiles do 1º de Maio). Como tudo (vida quotidiana, empréstimos, férias) depende da forma como se é classificado, todos os cidadãos são obrigados (para poderem jogar na selecção nacional, expor os seus quadros ou passar férias à beira-mar) a comportar-se de maneira a serem bem classificados.

Comentários, por favor.

Séries

sábado, 29 de abril de 2017

Pra relaxar antes do RapoCota:

  1. Alfa, Beta, ______, Delta e Épsilon.
  2. Barone, Mendes, Cruz, ______ e Oliveira.
  3. Felix, Carlos, ______, Wilson e Everaldo.
  4. Humberto, ______, Emílio, Ernesto e João.
  5. Guaicurus, Caetés, Tupinambás, Carijós e _____.
  6. Oscar, Marcel, Israel, Gerson e ______.
  7. Laimbeer, Edwards, Rodman, Dumars e ______.
  8. Jagger, Richards, Jones, ______ e Watts.
  9. Portela, ______, Salgueiro, Mangueira e Grande Rio.
  10. ______, Tombense, Uberlândia, Joinville e São Paulo.

Completem pra cada serie ficar perfeita.

O vencedor receberá um prêmio virtual.

Azul e branca, a maior, a campeoníssima!

quarta-feira, 1 de março de 2017

PORTELA, campeã! Saiu a inhaca, fim da fila. Azul e branca eterna! Campeoníssima

SAMBA PORTELA