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Filmes que vi, revi e recomendo (II)

sábado, 1 de agosto de 2015

Segunda parte da minhas lista dos melhores filmes:

  • 1927 O CIRCO (Chaplin)
  • 1939 NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (Ford)
  • 1940 VINHAS DA IRA (Ford)
  • 1941 RELÍQUIA MACABRA (Huston)
  • 1946 PAIXÃO DE FORTES (Ford)
  • 1952 CARNAVAL ATLÂNTIDA (Burle e Manga)
  • 1954 AS FÉRIAS DO Sr. HULOT (Tati)
  • 1955 FÉRIAS DE AMOR (Logan)
  • 1955 LADRÃO DE CASACA (Hitchcock)
  • 1955 RIFIFI (Dassin)
  • 1957 QUANDO VOAM AS CEGONHAS (Kalatozov)
  • 1957 TRONO MANCHADO DE SANGUE (Kurosawa)
  • 1958 UM CORPO QUE CAI (Hitchcock)
  • 1960 A AVENTURA (Antonioni)
  • 1960 O SOL POR TESTEMUNHA (Clément)
  • 1960 SE MEU APARTAMENTO FALASSE (Wilder)
  • 1961 BONEQUINHA DE LUXO (Edwards)
  • 1961 VIRIDIANA (Buñuel)
  • 1963 A PANTERA COR DE ROSA (Edwards)
  • 1963 MOSCOU CONTRA 007 (Young)
  • 1963 O BANDIDO GIULIANO (Rossi)
  • 1963 O LEOPARDO (Visconti)
  • 1963 OITO E MEIO (Fellini)
  • 1963 UM DIA, UM GATO (Jasny)
  • 1964 007 CONTRA GOLDFINGER (Hamilton)
  • 1964 OS REIS DO IÊ IÊ IÊ (Lester)
  • 1967 A BELA DA TARDE (Buñuel)
  • 1967 O ESTRANGEIRO (Visconti)
  • 1968 UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO (Edwards)
  • 1970 A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Bertolucci)
  • 1972 ROMA (Fellini)
  • 1972 SOLARIS (Tarkovski)
  • 1973 A NOITE AMERICANA (Truffaut)
  • 1973 AMARCORD (Fellini)
  • 1973 O DIA DO CHACAL (Zinnemann)
  • 1974 VIOLÊNCIA E PAIXÃO (Visconti)
  • 1975 DERSU UZALA (Kurosawa)
  • 1976 NOVECENTO (Bertolucci)
  • 1979 APOCALYPSE NOW (Coppola)
  • 1979 MANHATTAN (Allen)
  • 1984 GAIJIN (Yamazaki)
  • 1985 QUANDO PAPAI SAIU EM VIAGEM DE NEGÓCIOS (Kusturika)
  • 1986 POR VOLTA DA MEIA NOITE (Tavernier)
  • 1991 URGA – UMA PAIXÃO NO FIM DO MUNDO (Mikhalkov)
  • 1995 Mr. HOLLAND, ADORÁVEL PROFESSOR (Herek)
  • 2001 NOVE RAINHAS (Bielinsky)
  • 2001 O FILHO DA NOIVA (Campanella)
  • 2003 BOM DIA, NOITE (Belocchio)
  • 2003 VALENTIN (Agresti)
  • 2007 TROPA DE ELITE (Padilha)

Estou à disposição para esclarecimentos.

Filmes que vi, revi e recomendo (I)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Matheus Chaves e Bruno RJ7L me pediram lista de bons filmes, no post da entrevista.

Aqui vai uma lista de com alguns que vi, revi e indico.

Sem ordem de preferência.

  • 1925 EM BUSCA DO OURO (Chaplin)
  • 1927 A GENERAL (Keaton)
  • 1938 ALEXANDRE NEVSKI (Eisenstein)
  • 1939 A REGRA DO JOGO (Renoir)
  • 1939 E O VENTO LEVOU (Fleming)
  • 1939 O MÁGICO DE OZ (Fleming)
  • 1941 CIDADÃO KANE (Welles)
  • 1942 CASABLANCA (Curtiz)
  • 1944 IVAN, O TERRÍVEL (Eisenstein)
  • 1948 LADRÕES DE BICICLETA (De Sica)
  • 1951 RASHOMON (Kurosawa)
  • 1952 CANTANDO NA CHUVA (Donen)
  • 1952 MATAR OU MORRER (Zinnemann)
  • 1952 UMBERTO D (De Sica)
  • 1952 VIVER (Kurosawa)
  • 1953 A UM PASSO DA ETERNIDADE (Zinnemann)
  • 1954 JANELA INDISCRETA (Hitchcock)
  • 1954 OS SETE SAMURAIS (Kurosawa)
  • 1954 SHANE (Stevens)
  • 1954 SINDICATO DE LADRÕES (Kazan)
  • 1955 VIDAS AMARGAS (Kazan)
  • 1956 RASTROS DE ÓDIO (Ford)
  • 1957 A PONTE DO RIO KWAI (Lean)
  • 1957 MORANGOS SILVESTRES (Bergman)
  • 1957 O SÉTIMO SELO (Bergman)
  • 1959 INTRIGA INTERNACIONAL (Hitchcock)
  • 1959 QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Wilder)
  • 1960 PSICOSE (Hitchcock)
  • 1962 LA DOLCE VITA (Fellini)
  • 1962 LAWRENCE DA ARÁBIA (Lean)
  • 1962 O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (Ford)
  • 1962 O SOL É PARA TODOS (Mulligan)
  • 1963 ACOSSADO (Godard)
  • 1963 OS PÁSSAROS (Hitchcock)
  • 1965 BLOW UP (Antonioni)
  • 1965 DOUTOR JIVAGO (Lean)
  • 1967 A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM (Nichols)
  • 1968 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (Kubrick)
  • 1970 A CONFISSÃO (Gravas)
  • 1970 SONHOS DE UM SEDUTOR (Ross)
  • 1971 LARANJA MECÂNICA (Kubrick)
  • 1972 O PODEROSO CHEFÃO (a trilogia) (Coppola)
  • 1977 ANNIE HALL (Allen)
  • 1982 E.T. (Spielberg)
  • 1986 CURTINDO A VIDA ADOIDADO (Hughes)
  • 1987 A ERA DO RÁDIO (Allen)
  • 1988 CINEMA PARADISO (Tornatore)
  • 1993 MADADAYO (Kurosawa)
  • 1996 KOLYA (Sverák)
  • 1998 CENTRAL DO BRASIL (Salles)

Semana 28 terminou em cochilo, empate e vaias

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Notícias do Cruzeiro na SEMANA 28 de 2015, por MAURO FRANÇA:

SEGUNDA, 13jul15 – Folga do elenco. /// Acertados o empréstimo por uma temporada de GEORGEMY e a venda dos direitos de LEO BONATINI ao Estoril. /// José Rodrigues, empresário de Felipe Melo, informou à imprensa italiana que estava próximo de acordo com o Cruzeiro. Guilherme Mendes informou que não havia negociação em andamento com o jogador, que anteriormente revelou ter recebido proposta do clube.

TERÇA, 14jul15 – Reapresentação. Comissão técnica comandou treino físico-técnico. Marinho, Bruno Rodrigo, Willian Farias e Allano fizeram atividades na academia. Liberado pelo DM, Alisson iniciou preparação física. Dedé fez fisioterapia em campo. /// JÚLIO BAPTISTA, no Superesportes: “Tenho muito futebol pela frente. Gostaria de jogar mais seis meses e mostrar que sou útil e gosto do clube. Em um mês estarei pronto e se o Vanderlei quiser posso ser esse 10. Nunca me escondi da responsabilidade. Como o maior salário do clube, sei que minha carga é maior, mas para isso precisava jogar. Fiquei chateado algumas vezes, fui xingado por torcedores sem poder provar meu valor. Estive inteiro por dois anos, mas não tive a chance de que precisava. Nunca fui titular.” /// GILVAN DE PINHO TAVARES falou à imprensa: “[MAYKE] O Cruzeiro não está oferecendo o jogador, tem que ter uma proposta decente. Se o Benfica quiser que envie um emissário, telefone ou faça uma proposta por escrito”. [CÍCERO e FELIPE MELO] “Se o empresário condicionar a vinda do Cícero à contratação do Felipe Melo, que não está nos nossos planos, vai atrapalhar o negócio. Temos todo o interesse no Cícero, mas estou ficando sem esperança de trazê-lo. Felipe Melo é um dos empecilhos. O Cruzeiro não faria a aventura de pagar o que ele está exigindo”. /// TAÇA BH SUB17, estádio Waldemar Teixeira de Brito, Divinópolis, 3ª rodada Grupo 1, GUARANI 0x3 CRUZEIRO. Gols: César, Gabriel Henrique e Paulinho. CRUZEIRO: Lucas Romão; Victor Alexander, Ronaldo, Gustavo e João Guilherme (Raphael Lourenço); Lucas Ventura (Murilo), César, Vander Tavares e Gabriel Henrique (Matheus Petrúlio); Marcelo Júnior (Victor Crispim) e Higor Felippe (Paulinho). T: Rodrigo Fonseca.

QUARTA, 15jul15 – Antônio Mello comandou treinamento físico pela manhã. À tarde, Luxemburgo comandou treino técnico com 32 jogadores, incluindo cinco goleiros. Willian Farias e Bruno Rodrigo fizeram atividades na academia. Alisson fez treino físico e Júlio Baptista atividades de fisioterapia em campo. /// STJD negou recurso da Procuradoria do Tribunal para aumentar pena de um jogo de suspensão de Willians, imposta pela expulsão contra o Figueirense.

QUINTA, 16jul15 – Luxemburgo comandou coletivo. Titulares: Fábio; Ceará, Léo, Paulo André e Fabrício; Charles e Henrique; Marinho, Marcos Vinícius e Arrascaeta; e Joel. Manoel, poupado, ficou na academia. Reservas: Rafael; Mayke, Fabiano, Douglas Grolli e Mena; Willians e Marquinhos; Willian, Gabriel Xavier e Vinícius Araújo; Leandro Damião. Alisson, Pará, Alex, Bruno Edgar e Neilton fizeram atividade leve à parte. /// HENRIQUE DOURADO rescindiu contrato, em comum acordo com a diretoria. /// GILVAN DE PINHO TAVARES, em entrevista à Itatiaia: “[FINANÇAS] Vendemos muitos jogadores, mas nem todo o dinheiro entrou para o Cruzeiro. Quem está fora não sabe quanto custa montar um plantel que o Cruzeiro montou nos anos anteriores. Para ter uma ideia, a despesa com jogadores, rescisões e outros gastos, no mês de janeiro, foi de R$ 49 milhões. A folha de pagamento é altíssima, em torno de R$ 8 milhões. Quitamos a folha de junho em 3 de julho, o que poucos clubes estão conseguindo. Tivemos uma receita nesse primeiro semestre de R$ 200 milhões e uma despesa de R$ 202 milhões. Nós tentamos contratar, mas não vamos pagar R$ 700 mil a qualquer jogador. Não vamos contratar mais ninguém, a não ser que ocorra uma grande oportunidade. As finanças do clube não estão para isso e não vou fazer loucura. Não vamos fazer aventura nessa situação que país e futebol estão atravessando.” [NOVO DIRETOR DE FUTEBOL: “Está bem próximo. Vai vir de outro estado. Enquanto não acertar, não vamos falar nada, porque pode atrapalhar as negociações. [PATROCÍNIO MASTER]: “Estamos estudando propostas. Só que não aceitamos aviltar o preço de uma camisa tão tradicional. Estamos conversando com uma empresa que talvez vá patrocinar o uniforme, até que a gente firme um contrato para o ano que vem ou talvez pelos próximos dois anos. [JÚLIO BAPTISTA]: “O contrato termina em 31 de julho. Ele está se recuperando bem e acredito que em pouco tempo estará voltando. Parece que ele está aceitando uma redução do que ele ganhava para fazer outro contrato mais curto”. /// ROBSON PIRES representou o clube em encontro para discutir a reativação da Copa Sul Minas, em Curitiba. /// Oficializada a contratação para o Sub20 do atacante uruguaio Gonzalo José Latorre Bovio, 19 anos, revelado pelo Peñarol, que atuava pelo Atenas de Montevideu. /// BRASILEIRO SUB20, Arena do Jacaré, Sete Lagoas, 1ª rodada 2ª Fase, CRUZEIRO 2×0 BAHIA. Gols: Thiago Souza, Alex Sandro. CRUZEIRO: Lucas França; Dione, Fabrício, Bruno Viana e Victor Luiz; Thiago Souza, Tom (Tony Anderson), Roni (Andrey) e Allano; Santiago (Hugo Ragelli) e Alex Sandro. T: Emerson Ávila.

SEXTA, 17jul15 – Coletivo, seguido por treino de finalizações e cruzamentos. Titulares: Fábio; Ceará, Paulo André, Manoel e Fabrício; Charles, Henrique, Marinho, Marcos Vinicius e Arrascaeta; Joel. Reservas: Rafael; Mayke, Fabiano, Douglas Grolli e Mena; Willians e Marquinhos; Willian, Gabriel Xavier. Alisson, Pará, Alex, Fabiano e Bruno Edgar fizeram atividade em outro campo. /// JÚLIO BAPTISTA se reuniu com a diretoria. /// Lançamento do uniforme 3, que faz homenagem às origens italianas do clube, com camisas nas cores azul, de jogo, e verde e bordô, para goleiros.

SÁBADO, 18jul15 – Após treino recreativo, 22 jogadores foram relacionados para o jogo contra o Avaí: Fábio, Rafael, Grolli, Léo, Manoel, Paulo André, Ceará, Fabiano, Mayke, Fabrício, Mena, Charles, Henrique, Willians, De Arrascaeta, Gabriel Xavier, Marcos Vinicius, Joel, Leandro Damião, Marinho, Vinícius Araújo e Willian. /// TAÇA BH SUB17, Arena do Jacaré, Sete Lagoas, 5ª rodada Grupo 1, CRUZEIRO 1×2 VILA NOVAGO. Gol: João Luiz. CRUZEIRO: Lucas Romão (João Paulo), José Leandro, Léo Bolgado, Murilo Pulino, Paulo Henrique, João Sodré (Raphael Lourenço), Matheus Petrúlio, José Gabriel (Natan), Higor Felippe, João Luiz (João Guilherme), Victor Crispim (Guilherme). T: Rodrigo Fonseca. Cruzeiro terminou em 1º lugar no Grupo, com 9PG, 3V, 1D, 7GF, 2GC.

DOMINGO, 19jul15 – CRUZEIRO 1×1 AVAÍ. Mineirão, BH, 14ª rodada Brasileiro 2015, 13.860 pagantes, 15.346 presentes, R$491.690,00. Arbitragem: Jailson Macedo Freitas, Elicarlos Franco Oliveira e Jose Carlos Oliveira Santos, baianos. Amarelos: Marinho (C); Romário, André, Everton (A). Gols: Marcos Vinicius, 12, André Lima, 81. CRUZEIRO: Fábio; Ceará, Paulo André, Manoel e Fabrício; CharlesHenriqueMarcos Vinícius (Gabriel Xavier) e Arrascaeta (Willian); Marinho e Joel (Leandro Damião). T: Vanderlei Luxemburgo. AVAÍ: VagnerNino Paraíba, Jéci, Emerson e Romário; Renan, Eduardo Neto (Tinga), Tauã e Renan Oliveira; Rômulo (Everton Silva) e William (André Lima). T: Gilson Kleina. /// VANDERLEI LUXEMBURGO comentou: “Fizemos um 1º tempo muito bom, com bom toque de bola, boas penetrações e com chance de matar o jogo. Não fizemos e no 2º tempo em uma oportunidade que tiveram eles empataram o jogo. Isso faz parte do futebol. Chateado, porque poderíamos ter avançado para o 9º lugar e aí vamos ter que sofrer um pouquinho. Vamos continuar trabalhando, insistindo com os jogadores, dando moral e confiança.” /// Johannes Max Boa Morte Araújo venceu a 8ª Corrida Rústica Senhor do Bonfim de Bocaiúva (28:10). João da bota foi o 2º (28:50), Carlos Gomes Fonseca o 4º (30:00) e Yuri Bonari o 5º (30:41). Cintia Tais de Pinho venceu a prova feminina (38:35), seguida por Claudete Maria de Souza (39:10) e Berenice Dias de Meira (39:17). Ivamar de Oliveira venceu a etapa de Arcos do Circuito Mineiro de Corrida de Rua ABC (14:51). Jaciane Barroso Araújo venceu a 7ª Corrida de Emancipação de Pitangueiras/SP (25:27).

Vá e leve sua mulher sapiens

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Programas pra esta sexta-feira, 26jun15:

  • 18h às 22h, no BHBar, Savassi, lançamento do livro do ANDERSON OLIVIERI. As dúvidas podem ser postadas aqui. Ele as responderá no decorrer do dia.
  • 20h30, Na Sala Minas Gerais, Rua Tenente Brito Melo, esquina de Gonçalves Dias, no Barro Preto, concerto da Filarmônica de Minas Gerais. No programa, BERLIOZ (Abertura O Rei Lear), SAINT SAËNS (Concerto pra violino nº 3 em mi menor, OP 61, com a violinista Liza Ferschtman) e FRANCK (Sinfonia em ré menor).
  • 20h30, no SporTV, Colômbia x Argentina, quartas de final da Copa América.

O dinâmico leitor poderá escolher dois dos três programas e se divertir a dois, com a mulher sapiens amada ao lado.

P.S.: Dois grandes cruzeirenses fazem aniversário hoje: ALEXANDRE MINARDI, coordenador ada equipe de atletismo do Cruzeiro, e BRUNO PONTES, comentarista do PHD. Saúde a ambos.

Caça à onça

quinta-feira, 4 de junho de 2015
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ONÇA

AS CAÇADAS DE PEDRINHO começa no Capoeirão dos Taquaraçus, quando o Marquês de Rabicó escuta um miado que mais parece rugido. Só podia ser onça pintada. E das grandes! Apesar do medo, a turma do Sítio do Picapau Amarelo cria coragem e, comandada por Pedrinho, a tropa composta por ele, Emília, Narizinho, Marquês de Rabicó e o Visconde, partem pra caçada. A notícia se espalha e a bicharada pressente que, depois da onça, será a vez dos demais. Convoca-se uma assembleia e fica decidido: o Sitio terá que ser atacado. No meio da confusão, aparece outro animal, um rinoceronte que escapou de um circo no Rio de Janeiro, e vai parar justamente no sítio de Dona Benta, onde recebe o nome de Quindim. O livro tem causado polêmica, devido às caçadas de animais silvestres, o que atualmente é proibido. Tentaram até tirá-lo de bibliotecas e livrarias. Besteira. Quando foi publicado, caçar bichos não era crime. Além disto, fica a lição da revolta dos bichos, que pode levar os jovens leitores a refletirem sobre o tema. O livro, de 1933, é ampliação do conto Caçada à Onça, que Monteiro Lobato publicou em 1924. Na nova versão, logo depois do conto original, vem Caçada ao Rinoceronte. Apesar das caçadas serem do esperto e corajoso Pedrinho, quem mais se destaca é a boneca Emília, chave da ação. Ela cria situações inesperadas. Negocia rinoceronte, tem solução pra tudo e é destemida. O caro leitor deve conferir. É leitura rápida e gostosa. E quem se aventura pelo Sitio do Picapau Amarelo uma vez, volta sempre, eu garanto.

Para as mães e as mães das mães

domingo, 10 de maio de 2015

PARA SEMPRE
Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
-mistério profundo-
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Keep calm and focus on the carnival

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Carnaval 2011

Um conto de Ano Novo

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM CONTO DE ANO NOVO

José António Abreu

 

«Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Feliz Ano Novo!»

Os quatro homens e as duas mulheres deslizaram suavemente uns até junto dos outros e abraçaram-se. Um dos americanos mantinha o olhar no painel de instrumentos.

«OK. Já chega. Estamos de volta a 2014.»

 

«Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Feliz Ano Novo!»

Os dois americanos trocaram um high-five. Os dois russos bateram no ombro um do outro e abraçaram a colega russa. A italiana, mais efusiva, fez questão de abraçar toda a gente.

«OK. Já chega. Estamos de volta a 2014.»

 

«Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Feliz Ano Novo!»

Excepto por uns quantos sorrisos, ninguém se manifestou. Um dos russos perguntou: «Dá tempo para abrir a garrafa?»

O americano que vigiava o painel abanou a cabeça. «Não. Ainda estamos em 2015 mas não vai durar.»

Ficaram todos em silêncio durante algum tempo.

«OK. Estamos de volta a 2014.»

 

«Cinco. Quatro. Três. Oh, que se lixe. Feliz Ano Novo.»

Ninguém se mexeu. Ouviu-se uma voz: «Alfa, tudo bem?»

O americano respondeu: «Tudo normal.» Depois acrescentou: «Da próxima vez abrimos a garrafa.»

Passaram alguns minutos. A italiana disse qualquer coisa sobre uma tradição milanesa. A russa comentou que em Vozdvizhenka os costumes eram mais asiáticos do que europeus. Um dos americanos perguntou: «Isso é mesmo ao lado da Coreia do Norte, não é? Como é que eles celebram a passagem do ano?» A russa não sabia. O outro americano disse: «Vêem The Interview na internet.» Os americanos riram, a italiana também.

Instalou-se o silêncio. Apesar do espaço ser exíguo, os três russos formavam um grupo ligeiramente à parte. Nas últimas semanas, os dois homens, pilotos da força aérea, vinham-se perguntando qual a forma adequada de lidar com os americanos, agora que os problemas na Ucrânia haviam levado não apenas a um arrefecimento nas relações entre os dois países como a uma crise económica na Rússia. A colega, engenheira, tendia a contemporizar. Dizia que a política não era para ali chamada.

«OK. Estamos de volta a 2014.»

 

«Feliz Ano Novo. Acho que podemos abrir a garrafa.»

O outro americano disse: «Mas a passagem ainda não é definitiva.»

Um dos russos disse: «Para a Rússia, é.»

O americano que anunciava as passagens replicou: «Essa é uma posição egoísta. Se era para ser assim, mais valia não nos termos reunido.»

O outro americano resmungou entre dentes: «E ainda faltam cinco meses.»

A italiana tentou contemporizar: «Alora, calma.»

O primeiro americano disse: «Podes falar. Itália também está quase. Aliás, já está.»

A italiana sorriu e levantou os braços, numa celebração irónica. O americano cedeu e deixou escapar um sorriso.

O russo que falara antes disse: «Estamos a demorar demasiado.»

A russa aproveitou: «Pois estamos. Fica para a próxima.»

«дерьмо», resmungou o colega.

O silêncio caiu de novo. A italiana teve a impressão de que passavam horas sem ninguém o voltar a quebrar. Evidentemente, tratava-se apenas de uma sensação.

«OK. Estamos de volta a 2014.»

 

«2015 outra vez.»

O russo mais impaciente pegou na garrafa.

«Cuidado com a rolha. E não deixes sair champanhe. Parece que no ano passado deu merda.»

A italiana sorriu. «Deve ser giro beber champanhe em suspensão no ar.»

«Pois. O problema é quando atinge os instrumentos.»

Tudo correu bem e o champanhe pareceu suavizar o ambiente – de tal modo que, bastante mais tarde, o americano que anunciava as passagens admitiu: «Raios, distraí-me. Estamos outra vez em 2014.»

Ninguém lhe ligou.

 

«2015.»

«Oh, cala-te.»

 

A Estação Espacial Internacional tem a bordo seis asytronautas: dois russos, uma russa, dois americanos, uma italiana. Demora 92,74 minutos a dar a volta ao planeta, rodando com uma inclinação orbital de 51,65º. Como o movimento rotacional da Terra é bastante mais lento, na noite de passagem de ano a Estação vai ficando cada vez mais tempo em fusos horários que já se encontram em 2015, antes de voltar a fusos ainda em 2014. Isto se não me enganei na lógica da coisa. Em qualquer dos casos: Feliz Ano Novo, Happy New Year, Felice Anno Nuovo e С Новым годом.

PUBLICADO no site Delito de Opinão, em 31dez14

Noite Feliz

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Noite feliz

Luiz Vilela

Entre, Pai. Entre, Mãe. Entre, Joaquim. Vô Zeca. Vó Mariquinha. Tio Nunes. Rosa. Que bom, que bom que vocês vieram – eu estou tão feliz. Vai ser uma noite linda. Vai ser a noite mais bela de todas. Vamos, sentem, ocupem seus lugares.

E o Pretinho? Por que o Pretinho não veio? Você também devia ter vindo, Pretinho. Aí eu te pegava e te punha no colo – você era tão macio, tão quentinho. Miau… miau… Que saudades, Pretinho…

Sentem, sentem. A senhora está tão bonita com esse vestido, Mãe. Vô, o senhor não larga seu cigarrão de palha, hem? E o senhor, Tio Nunes, cuidado, não vai contar aquelas piadas bobagentas. Vó Mariquinha, sabe que a senhora fica muito elegante com esse coque? E a Rosa? Sempre com esse sorriso… Joaquim, quantos anos, hem? Quantos anos… Muita água passou debaixo da ponte…

E o senhor, Pai? O senhor está tão sério; tão calado. Por que o senhor me olha assim? Por que o senhor não fala nada comigo? Fale, Pai; fale alguma coisa. Não fique me olhando assim. Vocês todos, parem de me olhar desse jeito. Por favor. Meu Deus, meu Deus… Tem dó de mim… Eu não queria isso, juro que eu não queria…

Não! Não e não! Onde está sua fibra, menina? Minha fibra? Minha fibra está aqui – ora, bolas. Pensaram que eu fosse fraquejar? Pois estão muito enganados. Quem vos fala é a Aristotelina – a Lina. Há meses que eu venho planejando essa noite; pensam que eu vou desistir agora? Nunca.

Será uma noite única. Será uma noite sem igual. Nem todas as luzes de todas as casas juntas da cidade brilharão mais do que esta casa nesta noite de Natal. Nem todas as luzes de todas as ruas… Ai, Lina, você é impagável; parece que você nunca saiu do palco. Não saí mesmo: você sabe, uma vez atriz…

Joaquim, lembra daquele Natal em que eu te pedi uma porção de lâmpadas – eu ia iluminar toda a casa, ia fazer um colar de lâmpadas – e aí você me trouxe… Ah, meu Deus… Você me trouxe meia dúzia, Joaquim, meia dúzia de lâmpadas! Então eu falei: o que eu vou fazer com meia dúzia de lâmpadas? O que eu vou fazer? Aí você… Você falou… Eu não lembro… O que você falou?… Eu não lembro… Minha memória… Minha cabeça…

Noite feliz, noite feliz, o Senhor, Deus de amor, pobrezinho, nasceu em Belém. Não foi fácil: cada garrafa, um posto. Naquele maior, o sujeito: para quê? Eu: não é da sua conta. Ele: se eu não souber, eu não posso vender. Eu, então: é para tirar a cera do assoalho, assoalho de tábuas, casa antiga. Antipático. Depois, no último posto, o rapazinho: e aí, vó, vai virar motorista agora? Vou, eu vou fazer uma viagem pro céu. Então me leva com você, que a coisa aqui na terra tá braba. Mas ele foi gentil, ele foi atencioso.

Os sinos, eles estão batendo. Missa da meia-noite. Onze e quarenta e cinco. Quinze minutos. Nunca houve ninguém tão só. Nunca alguém, nesse mundo, se sentiu tão só. Nem se eu estivesse – só eu, só eu de gente – nem se eu estivesse lá num deserto de Marte ou lá numa cratera da Lua. Se o telefone tocasse. Se o telefone tocasse, talvez…

Chega. É hora. A meia-noite se aproxima. Vamos. Noite feliz, noite feliz, o Senhor… Uma garrafa aqui; assim. Outra aqui… Agora essa… Mais essa… E essa… Pronto. Que cheiro forte… Podia ser o cheiro de jasmim que antigamente, nas noites de verão, entrava pela janela aberta e inundava esta sala onde todos nos reuníamos e conversávamos e éramos felizes…

Meia-noite. Pego esta caixa; tiro um fósforo; risco e… Eis! O fogo!

LUIZ VILELA, 72, é um escritor mineiro, nascido em Ituiutaba

Corpo de mulher

sábado, 13 de dezembro de 2014

CORPO DE MULHER

Ryunosuke Akutagawa
(Japão, 1892/1927)

Numa noite de verão, um chinês chamado Yang acordou de repente, por causa do calor insuportável. Deitado de bruços, com a cabeça entre as mãos, entregue a fogosas fantasias, ele percebeu uma pulga avançando na borda da cama. Na escuridão do quarto, viu o pequeno inseto, brilhando como pó de prata, saltando em direção ao ombro nu de sua mulher, que respirando suavemente dormia com o corpo virado de lado. Observando o lento progresso da pulga, Yang refletiu sobre a realidade das criaturas. “Uma pulga precisa de uma hora pra chegar a um local que, pra nós, fica a dois ou três passos e todo seu espaço se reduz a uma cama. Minha vida seria muito tediosa, se tivesse nascido pulga…”

Dominado pelos pensamentos, a consciência de Yang começou lentamente a obscurecer-se e ele, inadvertidamente, afundou-se no profundo abismo de um transe estranho, que não era nem sonho nem realidade. Imperceptivelmente, viu com espanto que a sua alma havia penetrado no corpo da pulga, que avançava pela cama, guiada por um cheiro acre de suor.

Mas isso não foi a única coisa que o espantou, naquela tão misteriosa situação. Incorporado na pulga, ele se viu diante de uma montanha, mais ou menos arredondada, suspensa de seu topo como uma estalactite, que subia além de sua visão e descia em direção à cama. A montanha tinha base redonda e era quente, como se fosse uma granada com muito calor armazenado dentro de si. Também era suave, polida, nevada por uma massa de gordura. Banhada em âmbar pelo brilho de uma luz vinda de fora, a montanha exibia sua curva ligeiramente voltada para o céu, como um arco de rara beleza. O outro lado era escuro como se fosse coberto por uma névoa azulada.

Olhos abertos, Yang admirava aquela beleza incomum. Mas se espantou ao notar que a montanha era um dos seios de sua esposa. Deixando de lado amor, ódio e luxúria, ele observou o enorme peito que parecia uma montanha de marfim. No auge da admiração, permaneceu longo tempo petrificado, atordoado pela imagem, completamente alheio ao cheiro acre de suor. Antes de se tornar pulga, ele nunca havia reparado os detalhes do corpo de sua esposa. E, agora, voltando a ser ele mesmo, se dava conta de que a beleza de uma mulher não é privilégio só para o olhar de um homem de temperamento artístico. Nem para o olhar perplexo de uma pulga.