Arquivo da Categoria ‘Cultura’

Filmes pra foliões desanimados

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

FILMES antigos disponíveis no Youtube para se ver neste carnaval.

BULLIT (Estados Unidos, 1968, policial, 112 minutos, legendado, dirigido por Peter Yates, com Steve McQueen, Robert Vaughn, Jacqueline Bisset). Senador Walter Chalmers, que comanda investigação do Senado sobre a máfia, pede à policia de San Francisco para proteger durante um fim-de-semana a testemunha-chave Johnny Ross, irmão de Pete Ross, chefão de Chicago. O Tenente Bullitt e seus homens, escolhidos pra cuidar do caso, levam Johnny pro Hotel Daniels. Apesar dos cuidados, numa noite em que o Inspetor Stanton estava na vigia, o quarto é invadido por dois pistoleiros que atiram nele e na testemunha. Bullit leva os feridos para o hospital, e passa a vigiá-los, mas Ross morre. Bullit desconfia de algo errado quando Stanton lhe conta que o próprio Ross abriu a porta para os assassinos. Para que os bandidos não saibam da morte de Ross, Bullit conta com a ajuda de um médico que esconder o corpo enquanto se investiga os rastros dos assassinos.

TRAMA MACABRA (Inglaterra, 1976, suspense, dublado, dirigido por Alfred Hitchcock, Barbara Harris, Bruce Dern, Cathleen Nesbitt ) Falsa médium e seu namorado taxista são contratados por ricaça pra encontrar seu sobrinho e herdeiro, adotado quando criança. Eles procuram o rapaz em San Francisco, sem saber que ele é Arthur Adamson, que com sua parceira, Fran, enriqueceram sequestrando magnatas. E os caminhos dos quatro trambiqueiros se cruzarão.

SONHOS (Japão, 1990, drama, dublado, dirigido por Akira Kurosawa, com Akira Terao, Toshie Negishi, Mitsunori Isaki) Oito episódios relatando sonhos recorrentes do diretor japonês. No primeiro, um menino espiona a cerimônia de acasalamento de raposas. No segundo, outro menino testemunha um momento mágico no jardim. de sua casa. Em quase todos os episódios está presente a temática ambiental.

O SÉTIMO SELO (Suécia, 1956, drama, legendado, preto e branco, dirigido por Ingmar Bergman, com Max von Sydow e Bengt Ekerot) Após dez anos, um cavaleiro retorna das Cruzadas e encontra seu país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Pra ganhar tempo,ele a desafia pra uma partida de xadrez que decidirá se ele morre ou não. Ele precisa vencer, mas a Morte topa o desafio, pois sabe que nunca perde.

O MENINÃO (Estados Unidos, 1955, comédia, colorido, dublado, dirigido por Norman Taurog, com Jerry Lewis e Dean Martin) Wilbur se vê envolvido no roubo de um diamante. e, na tentativa de escapar do verdadeiro ladrão, se disfarça de menino e entra num trem. Acolhido por uma moça durante a viagem, é levado pra uma escola exclusiva pra moças.

Utopia natalina do poeta

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Organiza o Natal

Carlos Drummond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

LIVRO: “Cadeira de Balanço”, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Dez destinos pra educar os filhos

sexta-feira, 21 de junho de 2019

FÉRIAS DE JULHO estão batendo à porta. É hora dos pais se programarem. Pra quem tem filhos entre 8 e 15 anos, minha sugestão é a de que a viagem tenha como foco a cultura: História, Geografia, Biologia etc. Praia fica pro fim de ano.

Minhas sugestões:

  1. Ouro Preto / Mariana, em Minas (barroco mineiro, um caso à parte na história da arquitetura, música, pintura e escultura mundiais)
  2. Tiradentes / São João Del Rei, em Minas (barroco, culinária, maria-fumaça etc).
  3. Parque dos Falcões, em Sergipe (40 pássaros, entre harpias, carcarás, corujas, falcoes e águias, muitos deles adestrados e amigáveis).
  4. Jardim Botânico / Centro Histórico, no Rio de Janeiro (Mata Atlântica e espécimes desplantas raras, incluindo a Vitória Régia, no Jardim Botânico, e muita história do Brasil imperial no centro). 
  5. Parques Curitibanos / Serra do Mar, no Paraná (passeio de teem descendo a serra do Mar rumo ao mar, parques temáticos e bosques incríveis em Curitiba, e o Museu “do Olho”, criado por Niemeyer).
  6. Imigração Alemã, em Santa Catarina (igrejas em estilo gótico impressionantes em Blumenau e Brusque, museu da imigração e comida alemã em Pomerode). 
  7. Museus Paulistanos, em São Paulo (Masp e Pinacoteca, com obras de  imenso valor artístico e histórico e o Museu do Futebol, no Pacaembu, que vai agradar à garotada).
  8. Pelourinho, na Bahia (arquitetura do Brasil colonial, dança, batuque e culinária local). 
  9. Recife / Olinda, em Pernambuco (arquitetura do Brasil colonial, centros de artesanato, passeios de barco pelo Capibaribe, culinária requintada e a emocionante sinagoga da época da ocupação holandesa, no Recife).
  10. Missões, no Rio Grande do Sul história das reduções guaranis promovidas pelos jesuítas).

Na área e comentários, mais tarde, vou detalhar cada atração destas.

E, pra orientar os viajantes, convocarei meu amigo Rogério Bastos, da Potencial Turismo, comentarista bissexto deo PHD, mestre na organização de viagens turísticas.

Acerto de contas do Boca do Inferno com o Divino

sexta-feira, 19 de abril de 2019

BUSCANDO A CRISTO

Gregório de Mattos Guerra

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa pra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Vinhos para acompanhar o bacalhau

quarta-feira, 17 de abril de 2019

GUILHERME FONSECA

Semana Santa pede bacalhau e bacalhau pede vinho. Organizei uma lista de cinco brancos e cinco tintos, que harmonizam com as mais f=diversas receitas do peixe. 

Para facilitar a vida dos consumidores belo-horizontinos, a maioria dos vinhos são encontrados no Verdemar e no Supernosso.

Os portugueses apostam nos tintos com boa estrutura, mas com taninos mais leves e boa acidez pra cortar a gordura do azeite,
presente em quase todos pratos de bacalhau.

Mas há também os que preferem brancos mais encorpados, com passagem por barricas de carvalho, com boa suntuosidade, que harmonizam bem com o forte sabor do bacalhau.

Podemos dizer que bacalhau combina com vinhos brancos e tintos. Mas deve-se evitar os tintos das castas Cabernet Sauvignon,Tannat e Malbec. Já para o tradicional  bolinho de bacalhau, espumante brut, é a melhor opção.

Brancos até R$50 => Grão Vasco, R$47,  Monte da Ravasqueira Clássico, R$35,  Quinta da Garrida Encruzado Dão, R$49, Quinta da Lixa, R$49, Titular Colheita Dão, R$50, 

Tintos até R$50 => Grão Vasco, R$43, Cabriz, R$50, Fata Grande Escolha Dão DOC, R$46, Monte Col Colheita, R$46, Estremus Dão DOC, R$50.

Brancos acima de R$50 => Esporão Reserva, R$160, Muralhas de Monção, R$110, Quinta dos Loridos Alvarinho, R$93, Morande Estate Reserve Chardonnay, R$80, Alvarinho Reserva Verde, R$60.

Tintos acima de R$50 => Monte Ravasqueira Vinha de Romas, R$170, Catedral Reserva Dão, R$102, Vinha do Bispado Reserva Douro, E$90, Cabriz Reserva Dão, R$77, Foral dos Quatro Ventos, R$69.

Um grande abraço a todos, bom apetite e uma feliz páscoa.

GUILHERME FONSECA, 56 anos, cruzeirense, administrador de empresas, nascido em Belo Horizonte, enófilo desde 2002.

Ao menos estavam juntos

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ANABELA NATÁRIO

— Meia noite!!! Viva o novo ano! — gritaram os quatro, de copo na mão, batendo com os pés, abraçando-se de seguida. Quando se olharam nos olhos – porque, dizem, as saúdes de copos assim o exigem para não amaldiçoar as relações sexuais dos próximos sete anos – não viram as mesmas caras. Quer dizer, os rostos mantinham-se, reconheciam-se, mas… os cabelos estavam brancos, os poros mais abertos, a pele talhada…

Enquanto se afastavam uns dos outros, de olhos arregalados, bocas espantadas, ninguém disse uma palavra. Não era possível, claro, pensavam. Não podiam ter envelhecido assim de um ano para o outro. Pior: de um minuto para o outro. Mas era o que viam. Portanto, a realidade apresentava-se dessa forma, havia que acreditar, só é permitido não acreditar naquilo que se não vê.

Ainda agora tinham 30 anos, mais coisa menos coisa. Para aparecerem assim, quanto tempo passara? As mãos diziam ter-se passado bastante, a pele arrepanhada demorava a voltar ao lugar. E o choro de crianças, vinha de onde? Do quarto ao lado da sala? Filhos? Netos? Mais uma impossibilidade. Nenhum deles vivia junto, sim, namoravam, eram amigos desde a faculdade, porém, ainda não tinham acordado em mais compromissos; o pula-pula dos afazeres profissionais, um emprego aqui, outro ali, a empresa que dois deles criaram e parece fazer o seu caminho, as horas a cultivar o físico, a beber copos, a olhar as redes, a postar, a escrever para poupar a língua…

Desorientados, procuram a tevê e os telemóveis para poderem olhar outros, observar outras feições, ver o que se passa no mundo. É tudo um pouco incompreensível. A grande tela incorporada na parede só fazia coisas a pedido, e os telefones por onde andavam? Só veem óculos, nanoaparelhos, um robô a surgir da cozinha, ou de onde antes era a cozinha.

Dá-se então uma corrida à casa de banho. Maria, Micaela, Tomás e Rodriguinho querem ver-se ao espelho. E, enquanto isso, apalpam a cara, puxam pelos e cabelos, largando interjeições entre uma afirmação e uma interrogação: Não pode ser! Mas o que é que está a acontecer?

A interrogativa apresenta-se desfasada. Não está a acontecer, já tinha acontecido.

Suspiram, ao menos estão juntos.

FELIZ ANO NOVO, leitores, comentaristas e amigos do PHD!

Tríplice Coroa virou livro

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ALEX, o Talento Azul, o maior craque do Cruzeiro de 2003, e o escritor Anderson Olivieri uniram-se pra contar os bastidores da Tríplice Coroa. O resultado foi o livro “2003: a tríplice história de um time mágico”.

Alex conta os bastidores do time naquele ano inesquecível. Para o torcedor celeste, trata-se de ótima opção de viagem ao passado e de presente de Natal.

Pra comprar, o torcedor deve acessar LINK ou visitar as lojas oficiais do Cruzeiro.

Lançamentos:

  • Segunda, 26Nov, entre 18h às 22h na Pizzaria Floriano, Av. do Contorno, 3.277, Praça Floriano Peixoto, Santa Efigênia, Belo Horizonte.
  • Segunda, 03Dez, no Restaurante Carpe Diem, entre 19h e 22h30, Asa Sul Comércio Local Sul 104 1, Asa Sul, Brasília.

O livro tem 138 páginas, formato 15 x 21 cm, foi editado por Thiago Soraggi, revisado por Cíntia Maia e Thiago Soraggi, tem projeto gráfico e diagramação de Phellippe Samarone. E custa R$39,90.

Entrevista com o filho do Chico Duro

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

ENTREVISTA com Marcelo Machado, autor do livro Chico Duro.

  1. Seu nome, seu bairro?

 Marcelo Machado, bairro Ouro Preto, Belo Horizonte.

  1. Quem te fez, quando e onde te puseram no mundo?

Yolanda e Chico Duro, em Governador Valadares, 06dez71.

  1. Que time é teu de infância: Pastoril ou Democrata?

Cruzeiro sempre! Com carinho pelo Democrata e admiração pelo legendário Pastoril.

  1. Em que escolas vc cabulou as aulas, da infância até a veiêra?

Chapeuzinho Vermelho, Colégio Ibituruna, Puccamp, UniBh e Ufmg.

  1. Jornalismo por quê? Não deu conta de passar no vestibular do Ita?

O meu sonho era fazer cinema, mas para quem cresceu lendo o JB, a comunicação foi uma escolha certa.

  1. Quando vc veio a dar com os costados em Belzonte?

Fiz cursinho pré-vestibular em BH em 1990, mas só em 1997 vim em definitivo para BH, uma cidade que aprendi a amar e valorizo cada vez mais. Não sei viver sem queijo, pão de queijo, torresmo e cachaça. E aqui acha tudo isso com muita qualidade.

  1. Por que vc trabalhou, se tem uma baita herança (sem impostos) pra receber? E em que órgãos (no bom sentido) labutou?

(Risos)… Ai de mim se não seguir ralando. Já rodei mais que o Dadá Maravilha. O Tempo, Diário do Rio Doce, LANCE!, Rede Minas, Globoesporte.com, A Tarde (Salvador), Hoje em Dia, Prefeitura de Belo Horizonte, sem contar serviços prestados à Folha de São Paulo e ao Estadão.

  1. Vc escreveu um livro pensando em ganhar dinheiro? Ninguém te avisou antes, que livro dá fama, mas não rende dividendos?

Se der pra pagar algumas cervejas artesanais e uma cachacinha da boa, está valendo.

  1. Chico Duro é lenda, realidade ou miragem? Governador Valadares tinha como competir com Três Corações quando certos pais bimbavam pra produzir craques? Tinha ao menos campo de futebol em Goval?

Chico é uma realidade, com pitadas de lenda. Quem o viu jogar de 1958 a 1964, principalmente, assegura que tinha futebol para jogar ao lado de Pelé. Será? Goval tinha campos como o do Colégio Ibituruna, do Pastoril e do próprio Democrata.

  1. Se um caboclo quiser comprar seu livro, quantas centenas de reais ele terá que torrar? E onde pode encontrá-lo (o livro, não o senhor, evidentemente)?

O livro custa apenas 40 temers, mas o JAS vai ganhar um porque está dando moral. Quem quiser adquirir, basta entrar em contato comigo mesmo. Wsapp: (31) 9.9989-1971.

  1. Oliú já te consultou querendo comprar a história prum filme? Se o senhor topar, quem indicará pra ser o chico Duro no cinema?

Estou esperando o telefone tocar ainda. Antonio Banderas ou Javier Bardem cairiam bem no papel.

  1. A imprensa escrita tem futuro? Em Cuba, o povo limpa a bunda com páginas o Granma (por uma questão de higiene, mas do que ideologia). Chegaremos a este ponto neztepaiz?

Como modelo de negócio, não vejo futuro algum no impresso. Já morreu.

  1. Vc continuará escrevendo livros ou pretende voltar a ser uma pessoa normal, gastando tempo nos botequins?

Vou seguir trabalhando com comunicação, marketing político, escrevendo livros, comendo queijo, pão de queijo, torresmo, bebendo uma gelada e degustando uma cachacinha mineira.

  1. Por falar em botecos, onde vc faz ponto em Beagá e Goval? Indique os melhores. Aproveita e d6e umas dicas de puteiros pros leitores doeztegroque.

Por increça que parível, não ando botecando na capital dos botecos, mas onde houver uma Heineken (pelo menos), uma Sabicana, torresmo de barriga, uma linguiça caipira, eu estarei disponível para ir, aqui, lá e acolá.

  1. Se te dessem uma mesa redonda pra mediar, quais os quatros jornalistas ou ex-boleiros vc convidaria pra compô-la?

Juca Kfouri, Pelé, Maradona e George Best.

  1. Quais os melhores livros sobre futebol que vc já leu?

Confesso não ter lido muitos. Nenhum dos que li é tão bom como o do Agassi. Bem… Ficaria com o do Garrincha (Ruy Castro).

  1. Vc já teve mulheres? Fez filhos? Plantou árvores? Ou começou de trás pra frente, escrevendo livros antes de tudo?

Comecei fazendo filhos para herdarem as dívidas. O livro é o primeiro de muitos, espero. Quero plantar muitas árvores -cajá manga e siriguela, principalmente.

  1. Seu Cruzeiro de Todos os Tempos, por favor.

Fábio — Nelinho, Perfumo, Dedé, Sorín — Piazza, Zé Carlos, Alex, Dirceu Lopes – Tostão, Joãozinho.

  1. Que Brasil vc quer para o futuro?

Um Brasil com menos bolsoasnos já seria um bom começo

  1. Em 1985, comprei duas garrafas de Havana, na mão do seu Anísio, em Salinas. Meu plano era abri-las pra comemorar um titulo mundial do Cruzeiro. Vc acha que devo continuar guardando essas aguardentes ou é melhor leiloá-las, pois jamais terei motivos pra degustá-las?

Nem uma coisa nem outra. Vamos começar a degustá-las a partir de quarta, 08Ago, quando o Cruzeiro começa a decidir a vaga às quartas de final contra o Flamengo na Libertadores.

Chico Duro, o craque e o livro

quinta-feira, 28 de junho de 2018

MARCELO MACHADO, jornalista, escreveu um livro. Eis o realease:

Chico Duro, a história de um craque valadarense

“Se você jogar metade da bola que o seu pai jogou, vai ficar milionário.”

Assim como todo filho de craque (ou suposto craque) de futebol, eu cresci ouvindo essa frase. Era quase um mantra repetido por todos que viram o meu pai jogar em Governador Valadares e região.

Centroavante magro, rápido e habilidoso, com um drible longo, Francisco Oliveira Silva, o Chico ou Chico Duro, chutava tão bem com as duas pernas que era difícil cravar se era destro ou canhoto.

Compensava a estatura mediana (1,75m) com uma impulsão acima da média e uma precisão letal no cabeceio. Talvez porque executasse o fundamento à maneira Pelé, ou seja, com os olhos arregalados para enxergar o lance completo e ver a bola ganhar a rede.

Chico Duro capitaneou uma conquista estadual do time de futebol de salão do Ilusão Esporte Clube, em 1960, quando fez cinco gols na goleada por 9 a 1 sobre o Siderúrgica, na decisão disputada em Belo Horizonte.

Integrou o Clube Atlético Pastoril, o CAP, um mítico time amador valadarense que encarava de igual para igual os grandes esquadrões nacionais em amistosos nos anos 50/60.

O brilho maior de Chico Duro, porém, foi no Democrata. Basta dizer que a maior vitória democratense sobre o Atlético Mineiro em toda a história, 3 a 1, em 1963, teve o centroavante como protagonista e autor de um gol.

Chico Duro, porém, disse não ao futebol. Recusou proposta do Bahia e do próprio Atlético. Antes, não topara fazer parte do juvenil do Cruzeiro. Isso após marcar um gol de bicicleta durante um treino avulso pela equipe, no Barro Preto.

“O Chico era melhor que o Pelé”, exagera Vicente, um ex-companheiro dos tempos de Ilusão e Democrata. “Quem é Pelé?”, provoca Julio Tostes, outro fã do craque valadarense. “Jogava como o Ronaldo (Fenômeno)”, assegura Dorcelino, um pintor de paredes que não perdia um jogo sequer de Chico.

Com 200 páginas, 32 capítulos e galeria de fotos, o livro sobre este personagem nacionalmente anônimo, de fama apenas local, já está concluído. Traz a história de um homem comum do interior do Brasil. Trajetória esta que envolve nomes como Getúlio Vargas, JK, Garrincha, Pelé, Castilho, Procópio, Dalva de Oliveira, Elis Regina, Gonzaguinha, Agnaldo Timóteo e outras personalidades.

A contextualização histórica garante à obra o papel de contribuir para a preservação da memória de Valadares e região, com um resgate de fatos que marcaram a economia, a política, o esporte e a cultura valadarense nos anos 40, 50 e 60.

Em tempo: como não joguei nem metade da bola que ele jogou, não me tornei um milionário. Mas eu fazia os meus golzinhos também. E sigo batendo com as duas…

Tempos idos

sexta-feira, 30 de março de 2018

ESSE TEMPO

Álvaro Faria

Sexta-Feira Santa me leva à infância.
O silêncio da casa.
No rádio, só música clássica.
Nada de jogar bola na rua.
Lembro-me que eu me sentia profundamente triste.
Um dia de falar baixo.
Um dia de silêncio.
De muito respeito.
Eu agradeço ter vivido esse tempo.