Arquivo da Categoria ‘Cultura’

Séries

sábado, 29 de abril de 2017

Pra relaxar antes do RapoCota:

  1. Alfa, Beta, ______, Delta e Épsilon.
  2. Barone, Mendes, Cruz, ______ e Oliveira.
  3. Felix, Carlos, ______, Wilson e Everaldo.
  4. Humberto, ______, Emílio, Ernesto e João.
  5. Guaicurus, Caetés, Tupinambás, Carijós e _____.
  6. Oscar, Marcel, Israel, Gerson e ______.
  7. Laimbeer, Edwards, Rodman, Dumars e ______.
  8. Jagger, Richards, Jones, ______ e Watts.
  9. Portela, ______, Salgueiro, Mangueira e Grande Rio.
  10. ______, Tombense, Uberlândia, Joinville e São Paulo.

Completem pra cada serie ficar perfeita.

O vencedor receberá um prêmio virtual.

Azul e branca, a maior, a campeoníssima!

quarta-feira, 1 de março de 2017

PORTELA, campeã! Saiu a inhaca, fim da fila. Azul e branca eterna! Campeoníssima

SAMBA PORTELA

Passagem de ano

sábado, 31 de dezembro de 2016

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor
[da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[doce morte com sinfonia e coral,

que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do [acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Livro: A rosa do povo. In: Poesia completa.. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

O que um faz outro atrofia?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

DESPORTO E PEDAGOGIA

Antonio Aleixo

Diz ele que não sei ler
Isso que tem? Cá na aldeia
Não se arranjam dúzia e meia
Que saibam ler e escrever.

Pra escolas não há bairrismo,
Não há amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

Se os juntassem, como irmãos,
Esse conjunto daria verdadeiros cidadãos!
Assim, sem darem as mãos,
O que um faz, outro atrofia.

Da educação desportiva,
Que nos prepara pra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo lá na bilheiteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,
Não pode ver por quantos é comido
E nem se importa que o comam, ou não.

E assim os ratos vão roendo o queijo
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto,
De vez em quando solta o seu bocejo,
Sem ter p’ra ceia nem pão, nem conduto.

[Fonte: Este Livro que Vos Deixo…]

Conto de Natal

sábado, 24 de dezembro de 2016

JOÃO CÉSAR DAS NEVES

O António não disse nada, mas foi isso que despertou as suspeitas da mãe. O pequenito estivera muito calado desde que voltara da escola nessa tarde. Ao jantar ela finalmente perguntou o que se tinha passado. Depois de alguma hesitação, a criança contou:

“Hoje a professora perguntou o que é o Natal. Uns disseram que era a festa do Pai Natal, outros que era o dia das prendas e outros que era a festa da família. Quando eu disse que o Natal é o dia dos anos do Menino Jesus todos se riram, e a professora ficou um bocado zangada. Disse, muito séria, que isso era uma explicação dogmática e subjectiva. Oh pai, o que é isso?”

Os pais ficaram visivelmente atrapalhados e o silêncio dominou o resto do jantar. Mas no final, o pai pegou no António ao colo, levou-o perto do Presépio que estava na sala e perguntou ao pequenino:

“António, vês alguma escola aqui no Presépio?» O António confessou que não via nenhuma.

«Achas que no tempo de Jesus havia escolas?” O rapazinho disse que havia de certeza.

“Tens razão», continuou o pai. “Mas não há nenhuma escola no Presépio. Agora imagina o que aconteceu quando, no dia seguinte ao Natal, este pastorinho pequenino que vês aqui de lado com a ovelhinha ao colo, foi contar na escola aquilo que tinha visto na noite anterior. O que terão dito os colegas e a professora, quando ele contou que viu os Anjos no Céu a cantar e que encontrou o Menino Deus deitado numa manjedoura? Que achas tu que eles fizeram?”

“Devem ter-se rido dele, e não acreditaram.”

“Também acho”, concordou o pai. “E que achas que o pastorinho pensou nessa altura?”

Depois de meditar um pouco, o pequenino respondeu: “Deve ter ficado muito triste, porque os colegas dele não sabiam que aquilo era mesmo verdade.”

“Isso mesmo! Não ficou zangado, não ficou envergonhado, não ficou assustado. Ficou muito triste, porque os amigos não acreditaram, nem queriam saber daquela coisa maravilhosa que ele sabia que tinha visto.”

A mãe, que estava ali ao lado, a acompanhar a conversa, interveio:

“Vês, António, tu estás como o pastorinho. Tu sabes que o Natal são os anos do Menino Jesus. É por isso que há prendas, festa e as famílias se reúnem. O Pai Natal é apenas o ajudante do Menino Jesus para essas coisas, mas o que é realmente importante no Natal são os anos do Menino Jesus.”

“Que posso eu fazer para os meus colegas e a professora perceberem que isso é mesmo verdade?”

Mais uma vez os pais ficaram embaraçados. Mas a mãe interrompeu o silêncio dizendo:

“Podes perguntar ao Menino Jesus. Ele ainda não chegou ao nosso Presépio, porque só vem na noite de Natal, mas já está ali em cima daquele armário, com Nossa Senhora e São José. Vamos ali rezar-lhe e perguntar o que devemos fazer.”

“Mas mãe”, discordou o rapaz, “esta coisa importante tem de se perguntar na igreja, onde o Menino Jesus está mesmo, no sacrário, como diz o senhor padre.”

Os pais sorriram e a mãe disse: “Está bem. Amanhã saímos mais cedo e, antes de irmos para a escola, passamos pela igreja e tu perguntas isso ao Menino Jesus. Rezas por ti e pelos teus colegas e professora, e perguntas o que deves fazer.”

No dia seguinte, ao jantar, o pai quis saber como tudo se tinha passado. A mãe contou que tinham ido à igreja antes de chegarem à escola, e que rezaram para que os meninos e professores aprendessem o que é o Natal. O António manteve-se calado, mas quando a mãe acabou, ele disse: “Amanhã eu quero levar na mochila aquele Menino Jesus de madeira que temos nas palhinhas no armário da sala.”

Novo silêncio. A mãe não concordou: “Ó António, não faças isso. Vais sujar, perder ou partir o Menino Jesus. O melhor é Ele ficar aqui e tu falas com Ele, como fazes na igreja. A nossa casa é muito mais calma e segura do que o recreio ou a sala de aula. O melhor é o Menino Jesus ficar aqui.”

O pequeno respondeu: “Mãe, eu acho que o Menino Jesus quer ir à minha escola. Vou ter muito cuidado, mas Ele não tem medo de ficar sujo ou partido. Sabes, Ele estava no Céu descansadinho, onde nunca se sujava nem magoava, e quis vir cá abaixo para estar connosco. Aqui Ele ficou sujo, mas não se importou. Na missa disseram que Jesus até disse aos amigos que O iam matar na cruz. Ele sabia isso, mas, mesmo sabendo, quis vir. Se veio assim, também quer ir à minha escola. E lá ninguém lhe faz mal.”

Depois de novo silêncio, continuou: “No Céu cheira tão bem. Já pensaste o que é ir daí ao Presépio? Com o estrume do burro e da vaca, ainda devia cheirar pior no Presépio do que na casa de banho da escola. E eu não o levo à casa de banho.”

Paixão

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sexta-feira da Paixão das antigas tinha voto de silêncio, jejum, música sacra no rádio, filme bíblico no cinema, reflexão sobre o sentido da vida cristã, procissão, Verônica cantando no descendimento do Senhor crucificado, tochas e tambores. Hoje, tem churrasco e jogo do escrete brasileiro.

A Regra (e o horário) do Jogo

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Deu na VEJA:

Com ritmo mais acelerado e uma série de revelações nos últimos capítulos, A REGRA DO JOGO parece realmente ter caído no gosto do público. A cerca de dois meses do fim, a novela das nove da Globo cravou ontem novo recorde de audiência, com 35 pontos em São Paulo, equivalentes a 53% dos televisores ligados, e de 40 pontos no Rio (58% de participação). A trama das sete, TOTALMENTE DEMAIS também teve seu melhor dia entre os cariocas: marcou 33 pontos de audiência, com 53% de share.

Algum jogo de futebol dá isto? Não? Então, parem e reclamar de futebol às 22h.

Aprendam, de uma vez por todas: quem manda é o consumidor, não o fanático por futebol.

Duvidam?

Então, encontrem uma TV disposta a passar futebol diariamente às 21h pra ver que fim ela terá.

O país dos pais pirados

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Nones de jogadores que disputam a Copa SP de Futebol Júnior:

Allexson, Ayallan, Carlisson, Charleston, Charleston Filho, Clifton, Dalberson, Diancesaris, Domilson, Eliasafe, Piu, Guibon, Hercolys, Izano, Jordson, Jory, Karlenilson, Keiller, Kelvenny, Klisman, Liverson, Makton, Mardem, Nerison, Odilávio, Otacildo, Queven, Randson, Rickelvy, Riuler, Romércio, Sirnande, Tarssis, Tchulio, Wembley, Will, Wyrakitan, Ortega.

That’s Brazil!

O presente dos magos

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O PRESENTE DOS MAGOS

O. Henry

Um dólar e oitenta e sete centavos. Era tudo. E sessenta centavos eram em moedas. Moedas economizadas uma a uma, pechinchando com o dono do armazém, o dono da quitanda, o açougueiro, até o rosto arder à muda acusação de parcimínia que tais pechinchas implicavam. Três vezes Della contou o dinheiro. Um dólar e oitenta e sete centavos. E no dia seguinte seria Natal.

Não havia evidentemente mais nada a fazer senão atirar-se ao pequeno sofá puído e chorar. Foi o que Della fez. O que leva à reflexão moral de que a vida é feita de soluços, fungadelas e sorrisos, com predomínio das fungadelas.

Della terminou de chorar e cuidou do rosto com a esponja de pó. Postou-se junto à janela e ficou a contemplar melancolicamente um gato cinzento caminhando sobre uma cerca cinzenta num quintal cinzento. Amanhã seria Dia de Natal e ela tinha apenas um dólar e oitenta e sete centavos para comprar o presente de Jim. Estivera a economizar tostão por tostão havia meses, e esse era o resultado. As despesas tinham sido maiores do que calculara. Sempre são. Apenas um dólar e oitenta e sete centavos para comprar o presente de Jim. O seu Jim. Muitas horas felizes passara ela planejando comprar-lhe alguma coisa bonita. Alguma coisa fina, rara, legítima, algo que estivesse bem perto de merecer a honra de ser possuí­da por Jim.

Subitamente, afastou-se da janela e postou-se diante de um espelho. Seus olhos estavam brilhantes mas sua face perdeu a cor ao cabo de vinte segundos. Num gesto rápido, soltou o cabelo e deixou desdobrar-se em toda a sua extensão.

Ora, os James Dillingham Youngs tinham dois haveres de que muito se orgulhavam. Um era o relógio de ouro de Jim, que pertencera a seu pai e a seu avô. O outro era o cabelo de Della.

O cabelo de Della, pois, caiu-lhe pelas costas, ondulando e brilhando como uma cascata de águas castanhas. Chegava-lhe abaixo do joelho e quase lhe servia de manto. Ela então o prendeu de novo, célere e nervosamente. A certo momento, deteve-se e permaneceu imóvel, enquanto uma ou duas lágrimas caí­am sobre o puí­do tapete vermelho.

Vestiu o velho casaco marron; pôs o velho chapéu marron. Desceu rapidamente a escada que levava à rua. Parou onde havia um letreiro anunciando: “Mme Sofronie, Artigos de Toda Espécie para Cabelos. Della subiu a correr um lance de escada e se deteve no alto, arquejante para recompor-se. Madame, corpulenta, alva demais, fria.

– Quer comprar meu cabelo? ” perguntou Della.

– Eu compro cabelo  -disse Madame. Tire o chapéu e vamos dar uma olhada no seu.

Despenhou-se, ondulante, a cascata de águas castanhas.

– Vinte dólares -ofereceu Madame, erguendo a massa com mão prática.

– Dê-me o dinheiro depressa -pediu Della.

Oh, as duas horas seguintes voaram com asas róseas. Della se pôs a vasculhar as lojas à procura de um presente para Jim.

Encontrou-o por fim. Fora feito para ele e para ninguém mais. Nada havia que se lhe parecesse nas outras lojas, e ela as revirara de alto a baixo. Era uma corrente de platina, curta, simples e de modelo discreto, proclamando adequadamente seu valor por sua mesma substância e não por qualquer ornamentação espúria.

Era digna até do relógio. Tão logo a viu, soube que tinha de ser de Jim. Era como ele. Serenidade e valor -a descrição se aplicava a ambos. Vinte e um dólares cobraram-lhe por ela, e Della correu para casa com os oitenta e sete centavos. Com aquela corrente no relógio, Jim poderia preocupar-se decentemente com o tempo na frente de qualquer pessoa. Grande como era o relógio, ele às vezes o consultava meio envergonhado devido à velha tira de couro que usava em lugar de corrente.

Quando Della chegou em casa, seu embevecimento cedeu lugar a um pouco de prudência e razão. Pegou os ferros de frisar, acendeu o gás e pôs-se a reparar os estragos causados pela generosidade acrescida ao amor. O que sempre é uma tarefa muito árdua, queridos amigos, uma tarefa gigantesca.

Ao cabo de quarenta minutos, sua cabeça estava coberta de pequenos caracóis cerrados, que a faziam parecer, admiravelmente, um menino vadio.

Às sete horas, o café estava preparado e uma frigideira quente no fogão esperava o momento de fritar as costeletas. Jim nunca se atrasava. Della dobrou a corrente no côncavo da mão e sentou-se a um canto da mesa, perto da porta pela qual ele sempre entrava. Ouviu então seus passos no primeiro lance da escada e empalideceu por um instante.

– Oh, Deus, fazei-o por favor achar-me ainda bonita!

A porta se abriu, Jim entrou e a fechou. Parecia magro e muito sério. Pobre sujeito, apenas vinte e dois anos e já responsável por uma família! Precisava de um sobretudo novo e não tinha luvas.

Jim Avançou alguns passos. Seus olhos estavam fitos em Della e havia neles uma expressão que ela não conseguia ler e que a aterrorizava. Não era raiva, nem surpresa, nem desaprovação, nem horror; não era nenhum dos sentimentos para os quais ela estava preparada.

Della esgueirou-se para fora da mesa e se encaminhou para ele.

– Jim, querido –gritou- não me olhe desse jeito! Mandei cortar o cabelo e o vendi porque não poderia passar o Natal sem dar um presente a você. Ele crescerá de novo… não se aborreça, por favor. Meu cabelo cresce terrivelmente depressa. Diga Feliz Natal!, Jim, e fiquemos felizes. Você não sabe que coisa bonita, que belo presente tenho para você.

– Mandou cortar o cabelo? -perguntou Jim a custo, como se não tivesse ainda compenetrado desse fato patente após o mais árduo esforço mental.

– Cortei-o e vendi-o -disse Della. Você não continua a gostar de mim do mesmo jeito, então? Não precisa procurar por meu cabelo, foi vendido, como lhe disse… vendido, não está mais aqui. À véspera de Natal, querido. Seja bonzinho comigo, fiz isso por sua causa. Ninguém poderá jamais avaliar o meu amor por você. Posso fritar as costeletas, Jim?

Emergindo do seu transe, Jim pareceu despertar rapidamente. Abraçou a sua Della. Os magos trouxeram presentes valiosos, mas isso não estava entre eles. Esta asserção obscura será esclarecida mais tarde.

Jim tirou um pacote do bolso e atirou-o sobre a mesa.

– Não me interprete mal, Della -disse. Não acho que haja alguma coisa, corte de cabelo, raspagem ou xampu, capaz de fazer-me gostar menos da minha mulherzinha. Mas se você abrir este pacote, poderá ver por que fiquei abalado no princípio.

Alvos dedos ligeiros desfizeram o atilho e o embrulho. Ouviu-se então um grito extático de alegria, e depois, ai!, uma súbita mudança feminina para as lágrimas e os gemidos, que exigiram o imediato emprego de todos os poderes de consolação do senhor do apartamento.

Pois sobre a mesa jaziam Os Pentes, o jogo de pentes para cabelos que Della adorara havia muito numa vitrine. Belos pentes, de tartaruga legítima, orlados de pedraria, da cor exata para combinar com seu lindo cabelo. Eram pentes caros, ela o sabia, e seu coração se limitara a desejá-los e a suspirar por eles sem a menor esperança de vir um dia a possuí­-los. E agora pertenciam-lhe, mas as tranças que os anelados enfeites deveriam adornar não mais existiam.

Ela, porém, os apertou contra o peito e, por fim, pode erguer os olhos nublados, sorrir e dizer:

– Meu cabelo cresce tão depressa, Jim!

Jim ainda não vira o seu belo presente. Ela lho estendeu ansiosamente na palma da mão aberta. O fosco metal precioso parecia brilhar com o reflexo do seu jubilante e ardente espírito.

– Não é uma beleza, Jim? Vasculhei a cidade toda para achá-lo. Doravante, você terá de ver as horas uma centena de vezes por dia. Dê-me o seu relógio. Quero ver como fica nele.

Em lugar de obedecer, Jim deixou-se cair no sofá, pôs as mãos atrás da cabeça e sorriu:

– Della -disse-, vamos por os nossos presentes de Natal de lado e deixá-los por algum tempo. São lindos demais para poderem ser usados agora. Vendi o relógio para comprar os seus pentes. Que tal se você fritasse as costeletas agora?

Natal sem China

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quase tudo o que se vende neztepaiz, atualmente, é Made in China. E, assim, a gente vai comprando e mandando nossos empregos pra lá.

Meu saco encheu dessa burrice. E o meu saco de Papai Noel será Free China, este ano. Vou dar presentes brasileiros.

  • SEMIJOIAS, que a minha filha Lúcia vende. Confiram no Instagram: @belalu_acessorios
  • BISCOITOS FINOS da Comadre Canela, fabricados pela super cruzeirense Mariana Paiva (confiram no Facebook).
  • ALMANAQUE DO CRUZEIRO, do Carlos Henrique Ribeiro, mais completo do que nunca. Pode ser adquirido na Loja do Cruzeiro.
  • LIVROS dos peagadistas Anderson Olivieri e Agnaldo Morato. Perguntem como comprar, que eles logo aparecem pra informar.
  • ASSINATURA DA FILARMÔNICA. Nada pode ser mais agradável. Fique com os ingressos e vá convidando, uma a uma, aquelas amigas mais sensíveis. Não tem erro: muitas vão querer esticar depois do concerto.
  • SÓCIO DO FUTEBOL pros filhos e a patroa, a fim de evitar bola nas costas de uma virada de casaca na família. Seja responsável!
  • ESTADIA de fim de semana no Hotel Vila Serrana, do peagadista Arísio França, em Sete Lagoas. Restaurantes, grutas, lagoas e passeios pela região. A patroa vai adorar uma noite no bistrô anexo.
  • NUM ÁTIMO, livro de Walfrido Ferreira.  Sinopse: Uma mão, um revólver e uma bala que inicia sua trajetória. Quem atira, quem é a vítima? Que história está por trás de tudo? Dr. Vanclefe é um vilão ou uma vítima do destino? D. Tarsília é a vingança dos tempos? Os delicados chineses terão paz? Suspense! Na área de comentários, o autor responderá suas dúvidas, caro leitor. Desde que vc não peça que ele cometa um spoiller.
  • PELÉ ETERNO, documentário de Anibal Massaini Neto sobre o Rei do Futebol, com roteiro de Armando Nogueira e José Roberto Torero. Mais de 300 gols do Maior de Todos os Tempos. Essencial pra educação futebolística de filhos e netos.

Pronto, quebrei! Mas vou fazer a alegria de muita gente. E ajudar a manter o emprego de várias outras.

PS: Este post vai sendo ampliado, na medida em que se aproxima a hora de enfrentar o comércio e em que o blogueiro vai descobrindo jóias pelo caminho.