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O dia em que Nelinho pagou a conta

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

JOÃO CHIABI DUARTE

Cruzeiro.Org

Um jogo pelo Brasileiro de 1977, disputado em fevereiro de 1978, definiu minha forma de ver a parceria entre time e torcida. Foi um jogo dramático em que, tanto o ataque celeste teve tantas facilidades, quanto as que a defesa concedeu ao adversário.

Estou falando de um Cruzeiro 5×4 Fast Clube, com a torcida celeste oscilando entre o aplauso pela expectativa de uma goleada fácil e a queima de bandeiras e a vaia impiedosa.

No final, porém, tudo acabou bem.

Decorridos apenas 2 minutos, Flamarion buscou Lívio no comando do ataque, mas o beque Edgar, afoito, torou o pé na bola e estufou o barbante fazendo um golaço contra. Cruzeiro 1×0.

Pra um time que viera ao Mineirão jogar na retranca, aquilo foi uma ducha de água fria. Os amazonenses se descontrolaram e o Cruzeiro se aproveitou. Aos 3, Revétria acertou um bom chute e, aos 9, Nelinho recebeu passe de Eduardo Amorim e, livre, chutou pra fora.

Aos 9, Joãozinho fez um carnaval pela canhota e soltou a bomba. Iane não conseguiu segurar e no rebote Lívio marcou. Cruzeiro 2×0.

Logo em seguida, Erivelto recuperou uma bola, esperou a ultrapassagem de Nelinho e o colcoou em condição de finalizar. Iane catou, com dificuldade.

O Cruzeiro deu uma vacilada e, aos 15, o ponta Raulino obrigou Raul uma defesa difícil, com um chutaço no ângulo. Mas o time celeste continuou buscando o gol e, aos 25, Revétria pegou rebote de um chute de Eduardo, na baliza, mas arrematou pra fora.

O Cruzeiro arrefeceu a pressão e, aos 26, o pontesquerda Reis passou como quis por Nelinho, foi ao fundo e centrou com precisão na cabeça de Raulino, que testou fazendo Fast 1×2.

Nelinho ia bem ao ataque, mas Flamarion não era Piazza e não cobria suas subidas com a mesma eficácia. Por isto, o Fast levava perigo, com os canhotos Carlinhos e Reis.

Aos 28, Nelinho subiu de novo e soltou outra cacetada. A bola quicou e beijou a rede:  Cruzeiro 3×1.

A torcida gostava de ver Cruzeiro atacando sem medo de ser feliz. E começou a contabilizar 3 pontas pela vitória com diferença de 2 gols. Mas a barca virou.

Aos 35, Raulino cruzou da direita e achou Dentinho, que girou em cima de Zezinho Figueiroa e acertou o canto. Fast 2×3. Foi o bastante pro zum-zum-zum nervoso da arquibancada chegar à cancha.

O Fast percebeu que era seu momento e apertou. Aos 44, Reis desarmou Nelinho, foi ao fundo e cruzou pra Dentinho que perdeu o gol de empate.

E foi numa outra saída errada de Nelinho (ele recebeu a bola e ficou procurando alguém pra passar, enquanto Alberto Rodrigues narrava que ele teria sido bloqueado, cercado, marcado e não tinha a quem passar a bola…) que Carlinhos avançou, passou por Flamarion e Zezinho Figueiroa, e, antes da chegada de Darci, soltou a perna. Eram 44 minutos: Fast 3×3.

Um dos microfonistas da Itatiaia disse que Nelinho ficara parado na lateral com as mãos na cintura assistindo Carlinhos avançar e fazer o gol. Foi o bastante pro Mineirão em peso vaiar o lateral.

Parece que só o pessoal da Torcida Azulcrinada viu que o erro não era só de Nelinho, o atacante mais eficaz do time, mas da falta de cobertura e, ao invés de vaiar, aplaudiu o ídolo, quando ele desceu a escadaria de acesso ao túnel. Seu Mané nos retribuiu com um aceno.

O Fast voltou pro 2° tempo disposto a segurar o empate, enquanto o Cruzeiro partia pra cima.

Aos 50, Nelinho se mandou, recebeu de Eduardo e chutou na rede, pelo lado de fora. Aos 54, o Fast contratacou e o lateral Carlinhos fez grande jogada rolou pra Dentinho, que só não fez o gol porque Zezinho Figueiroa lhe tirou a bola, com um carrinho.

Aos 56, Nelinho obrigou Iane a fazer milagre. Ao 60, a torcida começou a vaiar pesadamente.

O time lutava, mas não estva em noite feliz. Aos 63, Joãozinho cobrou corner, a bola bateu em Carlinhos e só não entrou por milagre. Aos 64, o ponta Reis passou por Zezinho Figueroa e Raul Plassmann, mas perdeu o ângulo e chutou pra fora.

O comentarista da Itatiaia voltou a criticar Nelinho. Mais vaias. Mas Cruzeiro estava vivo. Aos 65,  Edgar foi apertado por Eduardo e atrasou errado. Revétria se antecipou e colocou a bola na rede: Cruzeiro 4×3.

Mas o desespero voltou. Aos 67, Reis fez um carnaval na esquerda e arrumou um córner. Na cobrança, achou Raulino dentro da área. O ponta fez o gol de empate: Fast 4×4.

O estádio veio abaixo. Começou o quebraquebra, as vaias se avolumaram, teve gente queimando bandeira. E como a Azulcrinada não parava de apoiar o time, quase fomos linchados pelas outras facções.

E foi nessa hira, quando o caldo começava a entornar, que Eduardo Amorim lançou Erivelto. O meia entrou livre na área e, impedido, deslocou Iane: Cruzeiro 5×4.

A partir daí, o Cruzeiro fez uma pressão danada, mas não conseguiu o gol que lhe daria 3 pontos. Nem mesmo com um jogador a mais, devido à expulsão do lateral Carlos Alberto, que apelou com Joãozinho.

Na saída de campo, Nelinho apontou pra nossa torcida. Outros jogadores também retribuíram o incentivo. É claro que esperamos por eles na saída do estádio e o Nelinho nos perguntou onde a gente se reunia após os jogos. Dissemos que era no bar do Joás, na Augusto de Lima com Mato Grosso, no Barro preto. Ele ficou de passar lá.

Ninguém acreditou, pois Nelinho tinha fama de mão-de-vaca. Mas não é que depois de mais de 10 metros de cerveja (era moda colocar garrafas enfileiradas e contar assim…) seu Mané apareceu, sentou com a turma e ainda pagou a conta?!

Na conversa ele, contou que alguns jogadores se sentiram muito mal com as vaias. O garoto Lívio, Vanderlei e o Zezinho Figueiroa, justamente os temperamentos mais introspectivos, sentiram demais os apupos.

Essa partida ficou na história. Depois de jogar muita bola o tempo inteiro, ser vaiado por grande parte da torcida insuflada pela “rádia” (o alto comando da Itatiaia nunca gostou dele), Nelinho conseguu sair de campo com a vitória e a reversão de postura da torcida.

Ídolos assim são mesmo eternos.

CRUZEIRO 5×4 FAST CLUBE, quarta-feira, 15fev78, 21h. LOCAL: Mineirão (130 mil), Belo Horizonte. MOTIVO: 3ª fase, Grupo T, Copa Brasil (Brasileiro) 1977. PÚBLICO: 8.872, Cr$280.535. JUIZ: Bráulio Zanoto (PR). AMARELO: Carlos Alberto (F). VERMELHO: Carlos Alberto (F). GOLS: Edgar (contra), 2, Lívio, 9, Raulino, 26, Nelinho, 28, Dentinho, 35, Carlinhos, 45, Revetria, 64, Raulino, 67, Erivélton, 72. CRUZEIRO: Raul Plassmann, Nelinho, Zezinho Figueiroa (Mariano), Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Flamarion, Erivélton e Eduardo Amorim; Lívio Damião, Revetria e Joãozinho. T: Aymoré Moreira. FAST CLUBE: Iane; Carlos Alberto, Leo, Edgar e Carlinhos; Mário Bacuri, Limão e Rolinha; Raulino, Dentinho e Reis (Barrote). T: Antônio Piola.

Outras histórias do CHIABI, no Cruzeiro.Org => http://www.cruzeiro.org/coluna.php?id=2334

Aconteceu em 2003: Criciúma 1×3 Cruzeiro

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Em 2003, foi assim:

  • CRICIÚMA 1×3 CRUZEIRO, domingo, 05set3, 18h. LOCAL: Heriberto Hulse (23 mil), Criciúma. MOTIVO: 34º rodada do Campeonato Brasileiro 2013. PÚBLICO: 14.367 pagantes, 15.849 presentes, R$16.843. JUIZ: Edílson Soares da Silva (RJ). AMARELOS: Leonardo (Cri), Felipe Melo (Cru). GOLS: Leonardo, 44, Marcinho, 60, Aristizábal, 81,  Marcinho, 90. CRICIÚMA: Fabiano Borges, Leo Mineiro, Leo Oliveira e Luciano; Paulo Baier, Cléber Gaúcho, Cléber (Paulo César), Dejair e Alonso; Leonardo (Guilherme) e Tico (Thiago Freitas). T: Gílson Kleina. CRUZEIRO: Gomes, Maurinho, Cris, Edu Dracena e Leandro; Augusto Recife (Marcinho), Maldonado e Wendel (Felipe Melo); Zinho; Márcio Nobre (Mota) e Aristizábal. T: Wanderley Luxemburgo.

O destaque da partida foi Wanderley Luxemburgo. Por quê?

É muita ausência pra tanta exigência

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Médias dos campeões de público dos campeonatos brasieliros entre 1972 e 2010:

  • 1972 Corintiãs 40.719
  • 1973 Fla 33.660
  • 1974 Vasco 36 619    (mais…)

Taça Brasil 1966, Santos 2×3 Cruzeiro: Campeão brasileiro!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cruzeiro, campeão brasileiro de 1966.

Para sempre, Academia Celeste!

Sob pressão

Chuva forte, campo enlameado, poças d’água por todos os lados. Mais experiente, o Santos tratou de lançar bolas longas sobre a área do Cruzeiro para Pelé e Toninho forçarem os erros de William e Procópio.

Para não perder o meio de campo, Lula escalou Amauri no lugar de Dorval. Sua missão era ajudar Zito e Mengálvio a parar Tostão e Dirceu. E Piazza, que havia anulado o Rei no jogo de ida, sem poder recuar demais para não abrir brechas no meio de campo, ficou inoperante no começo do 1º tempo.

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Taça Brasil 1966: Cruzeiro 6×2 Santos. Inesquecível!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os novos reis do futebol vestiam azul

Após 22 partidas pelo Campeonato Mineiro de 1965 e 6 pela Taça Brasil 1966, o Cruzeiro começou a escrever, naquele 30nov66, a página mais heróica de sua existência. Pela primeira vez, um clube mineiro podia sagrar-se campeão brasileiro.

A demolição da velha ordem do futebol brasileiro fora iniciada pelo Esporte Clube Bahia que, em março de 1960, tornou-se o primeiro campeão brasileiro de clubes ao vencer o Santos no Maracanã.

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Abriram o envelope. E agora?

sexta-feira, 11 de março de 2011

O C13 abriu os envelopes da licitação para a transmissão do Campeonato Brasileiro para o triênio 2012/14.

Ou melhor, abriu o envelope, pois SBT e Band e nem se deram ao trabalho de responder à carta-convite e Globo e Record optaram pela negociação direta com os clubes.

Quem apareceu foi a RedeTV, que arrematou o lote cpor R$516 milhões / ano, quase o mínimo exigido.

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CBF não é mais instância jurídica

quarta-feira, 2 de março de 2011

A CBF estava certa. Antes de estar errada, é claro.

O Sport é o único campeão brasileiro de 1987, conforme sempre disse Ricardo Teixeira, antes de mudar de opinião e dividir o título entre o Leão e o Urubu.

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Quem vai transmitir?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Deu na Folha de S. Paulo

Na última reunião da rede com o Clube dos 13, entidade que negocia o campeonato, na semana passada, a Globo pediu que se levasse em conta não só as propostas financeiras das emissoras, como também a experiência na transmissão do Brasileirão. 

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Taça Brasil de 1966: Fluminense 1×3 Cruzeiro

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Rio aos pés da Academia

Invasão cruzeirense

A torcida cruzeirense fretou dezenas de ônibus para acompanhar o time. Milhares de mineiros moradores do Rio também foram ao jogo.

Torcedores de Botafogo, Vasco e Flamengo engrossaram o coro da torcida celeste. O Cruzeiro dividiu o Maracanã com o Fluminense.

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Taça Brasil 1966: Cruzeiro 1×0 Fluminense

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meio minuto foi mais do que suficiente

Por que não o Flamengo?

Diferentemente dos demais estados, o Rio de Janeiro, então cidade-estado, indicava o Campeão da Taça Guanabara –criada para festejar o IV Centenário da Cidade Maravilhosa, em 1965- e não o campeão estadual para a Taça Brasil.

Assim, o Fluminense, campeão estadual de 1964 e não o Flamengo, campeão de 1965, representou o Estado na 8ª edição do certame nacional de clubes.

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