Brasil 0x0 Portugal: Um tempo esportivo, outro administrativo

Por Jorge Angrisano Santana | Em 25 de junho de 2010

Às 11h, no Estádio Moses Mabhida, em Durban, Brasil e Portugal disputam a liderança do Grupo G da Copa 2010.

Dunga, que escalará o time no 4-3-1-2, não contará com Elano, contundido, e Kaká, suspenso. Daniel Alves e Júlio Baptista substituirão os titulares.

Carlos Queiroz, que manterá o 4-3-3, só não poderá contar com o meia-atacante Deco, contundido.

Se vencer, o Brasil escapará de seleções como Argentina, Alemanha, México e Inglaterra nas quartas e nas semifianias. Mas poderá jogar contra a Espanha nas oitavas.

A Copa é assim. Pra ter vida mansa só fazendo como França e Itália que mandaram parar o torneio, desceram e voltaram pra casa mais cedo.

No apito estará o mexicano Benito Archundia, velho conhecido de quem frequenta a Copa Libertadores.

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Reportagem do UOL Esportes:

Brasil volta a mostrar defeitos, mas pega chave fácil no mata-mata

Alexandre Sinato, Bruno Freitas e Mauricio Stycer – Em Durban (África do Sul)

O Brasil conseguiu ficar no lado mais fácil do mata-mata da Copa do Mundo. O nervoso empate em 0 a 0 com Portugal nesta sexta-feira, em Durban, porém, mostrou o velho problema da equipe de Dunga contra retrancas. Mesmo assim, foi suficiente para assegurar a liderança do grupo G. Nas oitavas de final, na próxima segunda-feira, em Johanesburgo, pegará o segundo colocado do grupo H, ainda não definido.

Mais que isso, só poderá cruzar com rivais como Argentina, Alemanha e Inglaterra numa eventual decisão. A Holanda, na teoria, é o adversário mais forte dos brasileiros em uma possível partida de quartas de final. Na próxima fase, o time de Dunga pega o Chile, que perdeu a liderança da chave para a Espanha – o duelo com os chilenos acontece na segunda-feira.

Para conseguir isso, a seleção de Dunga enfrentou dois tipos de teste nesta sexta: jogar sem Kaká (suspenso) e Robinho (poupado) e superar a tensão do duelo com os lusitanos. Foi reprovado em ambos. Portugal entrou em campo, no primeiro tempo, recuado, com só um jogador no ataque. A mesma formação usada pela Coreia do Norte. E como na estreia do Mundial, o Brasil não conseguiu superar a retranca. Faltou movimentação no setor ofensivo e os meias não fizeram sua função básica: armar o jogo.

O time de Dunga teve duas chances ainda no primeiro tempo. Uma no segundo. Mas é pouco para um time que quer ser campeão mundial, ainda mais quando, no segundo tempo, Carlos Queiroz mudou o sua equipe e Portugal passou a dominar o jogo.

Quando o treinador brasileiro olhou para o banco de reservas, para tentar contra-atacar as trocas do português, as alternativas não apareceram. Ramires entrou no lugar de Júlio Baptista e Grafite, no de Luís Fabiano. Mas os dois estão longe de ser opções reais de criatividade no elenco verde-amarelo.

Com isso, o Brasil caiu no jogo duro que a retranca portuguesa causava. E, nesse quesito, o naturalizado Pepe foi o protagonista. Chegando sempre forte, forçou um amarelo a Luís Fabiano (que deu uma entrada dura no rival) e outro a Felipe Melo.

 A entrada violenta no tornozelo esquerdo do camisa 5 rendeu um cartão para o jogador luso. O volante brasileiro deu o troco, levou o cartão e Dunga preferiu trocá-lo por Josué ainda no primeiro tempo, para evitar a expulsão.

Até esse momento, a seleção brasileira até tentava. No 1º tempo, deu a impressão de que precisava mais da vitória que os lusitanos. Com 63% de posse de bola e o dobro de finalizações, o time de Dunga dominou as ações.

Nilmar mostrou gás. Mandou uma bola na trave, deu um chapéu seguido de chute para fora e acreditou em todas as bolas. Daniel Alves e Júlio Baptista, promovidos a titulares excepcionalmente nesta sexta-feira, não funcionaram como se esperava. Daniel foi bem, mas não foi brilhante. Mesmo assim,  fez mais do que Júlio, nulo, principalmente no 2º tempo.

Depois do intervalo, o jogo ficou mais aberto. Portugal lembrou o time que goleou a Coreia do Norte por 7 a 0. E o Brasil começou a tomar seguidos sustos. Na frente, Júlio Baptista ficou só na determinação e deixou o campo. A criatividade que muitas vezes falta ao Brasil não apareceu com ele em campo. É bom Kaká voltar logo, e bem.

Para Portugal, o jogo foi bom. A retranca funcionou e o time foi perigoso, principalmente, na etapa final. Como era esperado, foi um rival muito melhor do que Coreia do Norte e Costa do Marfim, fruto da qualidade técnica de seus atletas. E o “fator Cristiano Ronaldo” fez a diferença. Fominha como de costume, o melhor jogador do mundo de 2008 arriscou chutes de longe, esboçou arrancadas pelas laterais e deixou a defesa sempre em alerta. Foi dele, por exemplo, o melhor lance português, aos 14min do 2º tempo. Terminou como o melhor da partida pela Fifa.

Embora os gols não tenham saído, os 62 mil torcedores que foram ao estádio Moses Mabhida viram uma partida movimentada e com momentos de tensão. Um bom aperitivo para o que deve acontecer nas oitavas de final. O Brasil só não poderá errar tanto no setor ofensivo. No mata-mata os gols que não aconteceram nesta sexta farão falta, mesmo no lado “fácil” da chave.

  • No pé do Ronaldo – Os brasileiros pegaram no pé do astro luso. Uma faixa dizia: “Ei, Cristiano, Ronaldo só existe um!”, em referência ao Fenômeno. Alguns também cantaram: “Ronaldo, v…”.
  • Ano de eleição -Ramires parecia político: cumprimentou vários jogadores de Portugal antes do jogo e conversou bastante com Fábio Coentrão, seu companheiro de Benfica.
  • O batuque e as vuvuzelas – As vuvuzelas não deram sossego durante o jogo todo, como de costume, mas dividiram um pouco das atenções com o batuque puxado por torcedores brasileiros atrás de um dos gols.
  • Gramado ruim – A 20 minutos do início do jogo, o gramado foi molhado pelos organizadores. O “banho” durou cerca de dez minutos e deixou o campo de jogo mais rápido.
  • Nilmar não fez gol, mas se movimentou bastante, criou oportunidades e brigou bastante, até na defesa.
  • Júlio Baptista entrou para substituir Kaká e não conseguiu fazer nada. Perdeu a maioria das bolas que recebeu. 
  • A defesa de Portugal voltou a mostrar sua força. Segue zerada na Copa e tomou um gol nos últimos 11 jogos.
  • Michel Bastos só apareceu em campo nos erros bizarros que cometeu nos raros apoios ao ataque
  • 1ºT – 21min – Lance quente: com jogada parada, Felipe Melo levanta demais a perna em dividida com Pepe. Ninguém é advertido.
  • 1ºT – 30min – UUUHHH! Luís Fabiano cruza para área. A bola passa por todo mundo e sobra para Nilmar. Sem ângulo, ele chuta e obriga goleiro Eduardo a fazer boa defesa. A Jabulani toca no travessão.
  • 1ºT – 38min – UUUHHH! Bola lançada para Maicon, que tem dificuldade para dominar. Ainda assim, cruza bem. Luís Fabiano se antecipa a e cabeceia. A bola passa raspando o gol de Eduardo.
  • 1ºT – 44min – Dunga tira Felipe Melo, coloca Josué, logo após volante receber amarelo.
  • 2ºT – 14min – UUUHHH! Cristiano Ronaldo recebe no meio, avança. Lúcio desarma, mas a bola rola para o meio da área e sobra para Raúl Meireles. O português toca na saída de Julio Cesar, o goleiro brasileiro desvia.

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