Atuação auspiciosa

Por SÍNDICO | Em 17 de agosto de 2010

Marcel Fleming

Se tivesse que usar um único adjetivo para descrever a atuação de ontem do Cruzeiro, eu usaria: auspiciosa.

Passada a “termocefalia” decorrente do grito para calar a boca de um vizinho são-paulino, corneteiro chato, mas muito chato mesmo, tive a oportunidade de assistir ao VT do jogo com outros olhos.

Eu havia acompanhado a partida e os comentários do Cruzeiro.Org, combinando com a narração do UOL e as de outros links da internet, sempre muito ruins, que acabaram com minha paciência.

Assistir ao VT, como fiz, sem som (pois era tarde da noite), é muito interessante. A gente vê com outros olhos.

A partir daqui, emitirei opiniões de alguém que não se considera conhecedor ou estudioso do futebol, mas apenas um torcedor que procura ver as coisas com um pouco mais de clareza e isenção.

Assim, a primeira coisa que eu diria é a seguinte: nenhum jogador do Cruzeiro jogou mal a ponto de comprometer. Houve alguns erros, algumas tentativas de chutão para tirar da área meio esquisitas, uns passes muito ruins e até uma “furada” ridícula do Thiago Ribeiro, que tem sido peça importantíssima.

Roger foi criticado, mas, apesar da falta de ritmo teve participação importante nos dois gols. No segundo, ele recebeu a bola no meio campo, fez uma pequena invertida de rumo da jogada, encontrando o Montillo livre, para que oa rgentino pudesse lançar o Thiago Ribeiro.

Nem o Rômulo não comprometeu. Com um pouco de paciência, vai incomodar um pouco mais o Jonathan em sua titularidade.

Houve falha nos dois do SPFC, para mim “sistêmicas”, não individuais –além do mérito do adversário. Por outro lado, principalmente no primeiro gol do Cruzeiro também houve falha da zaga do SPFC.

O segundo ponto é que não vi o primeiro tempo do Cruzeiro tão ruim como amplamente falado. Foi pior que o segundo, mas não ruim.

Houve um certo equilíbrio, inclusive de arremates (por volta da metade do primeiro tempo as estatísticas mostraram os times empatados nos números de finalizações).

O pequeno diferencial em favor do SPFC era que até, aquele momento, Fábio já tinha feito duas ótimas defesas contra uma de Rogério Ceni num chute Everton, de canhota, numa situação meio improvável.

Ou seja, no meu entendimento o tal volume de jogo dos dois times foi parecido no primeiro tempo, com o SPFC um pouco mais assertivo e “acertivo” (desculpem-me o trocadilho, não aguentei).

Na verdade, os times fizeram grande partida e aqui vem minha terceira constatação: por mais que a mídia tente mostrar que o SPFC não está num bom momento, discordo.

O SPFC jogou bem, assim como o Cruzeiro. Na verdade, foi uma belíssima partida. Portanto, como resultado, em que pese nossa ansiedade com a tal escrita, foi um bom resultado.

Uma quarta constatação é que, embora a arbitragem tenha sido melhor que média do que se tem visto no Brasil, houve erros capitais que, no meu entender, prejudicaram um pouco mais a nós do que a eles. Um erro favorável a nós foi a marcação de um impedimento inexistente no primeiro tempo.

Porém, os seguintes erros favoráveis a eles foram cometidos:

  • a) não foi falta a que originou o lance do primeiro gol deles;
  • b) pelos critérios vigentes para nossos jogadores, Ricardo Oliveira deveria ter sido expulso pois agrediu o Fabrício, independente deste ter valorizado, o que todo jogador faz;
  • c) o técnico do SPFC deveria ter sido advertido pelo árbitro pois num dado momento ficou fora da área técnica nitidamente pressionando o bandeira, falando no ouvido;
  • d) houve no primeiro tempo uma falta por trás, perto da área do SPFC, que era lance de cartão amarelo para o Renato Silva –o que deixaria a zaga deles amarelada logo no primeiro tempo.

Tenho acompanhado mais de perto e é patente a condescedência da arbitragem com alguns times, mas em especial com o SPFC.

Ainda dói a expulsão do Kleber na LA2010, num tipo de lance que vimos aos montes por aí.

Os jogadores dos outros times tomam amarelo por qualquer reclamação mais enfática. Os do SPFC reclamam de quase todas as marcações, e nada acontece. Tem sido assim há tempos.

Em particular, no lance da agressão do Ricardo Oliveira ao Fabrício, tem um fato que não foi percebido (ou não foi enfatizado por ninguém da mídia): imediatamente antes da discussão que gerou a agressão, o SPFC partia em contra-ataque, com o Fabrício correndo em paralelo com o Ricardo Oliveira, que fez alguma coisa com o Fabrício. Não sei bem o que foi, mas ele parou e nitidamente olhou para o Ricardo Oliveira, que, na sequencia, perdeu um gol claro. Em seguida, a TV mostra os dois discutindo.

Mas, falando de aspectos auspiciosos: apesar da mídia também não enfatizar, o Cruzeiro é um time em reestruturação. Vários nomes importantes mudaram. Isto considerado, acho que, no geral, o time jogou bem.

E vou discordar de quem diz que o Cuca mexeu mal. Acho que não. Talvez a última substituição poderia ter sido melhor e também concordo que o Paraná tem que jogar. Mas no geral, acho que o Cuca armou bem o time, que enfrentou um adversário que jogou bem.

Por fim, mas mais importante: Montillo mostrou no primeiro jogo que pode ser um destaque neste Brasileirão. Não faz firula por firula, não fica valorizando falta para enganar juiz, joga para o time, busca achar os espaços.

A jogada do segundo gol começou de uma roubada de bola dele lá na nossa área, conduziu até onde podia, tocou para um companheiro e continuou para receber livre e dar o passe final. No melhor estilo dos grandes meia-armadores.

Enfim, na minha opinião, temos motivos para ter esperança.

Marcel Fleming, 43, cruzeirense, analista de sistemas, nasceu em Lambari-MG, mora em São José dos Campos-SP.

51 comentários para “Atuação auspiciosa”

  1. LUIZ ANTONIO disse:

    O cruzeiro também terminará em primeiro em 2010.

  2. Ernesto Araujo disse:

    Desculpe, Marcel, mas vou discordar de você. Acho que o Cruzeiro, no geral, não jogou bem. Deu chances DEMAIS e com graus ELEVADOS de perigo ao time do SPFC no primeiro tempo e as respostas dadas ao adversário, quando aconteceram, não foram no mesmo nível e quantidade. No segundo tempo, finalmente o time entrou na partida. O São Paulo, que não conseguiu ampliar a vantagem na etapa inicial, foi surpreendido e quando assustou já tinha tomado a virada. Mesmo assim, o Cruzeiro não conseguiu jogar o suficiente para ampliar ou manter a vantagem. O São Paulo ainda criou chances perigosas demais antes e depois do empate.(continua)

    • Ernesto Araujo disse:

      Fico sempre preocupado com o quanto de perigo o aversário leva ao Cruzeiro. É por pouco, BEM pouco que o Cruzeiro não toma gols. Isso precisa melhorar. Se isso acontece porque o time tem um volume grande de jogo no ataque (como era o caso do Santos do início do ano) tudo bem… O problema é que o Cruzeiro não assusta o adversário na mesma proporção e por outro lado o torcedor do lado de cá quase enfarta cada vez que o adversário chega. Só o Fábio tem se beneficiado disso…

      • Ernesto Araujo disse:

        Torço pelo estabelecimento de um meio-campo “dinâmico” no Cruzeiro. Um meio que ARME as jogadas para alimentar o ataque e apareça também pra concluir a gol. Essa era minha maior crítica ao esquema do Adílson, onde a armação era muito dependente dos laterais. Quero ver Montillo e Gilberto acionando os dois atacantes e também os laterais e também servindo de referencia para Henrique e Fabrício chegarem de trás chutando a gol ou até entrando na área como elementos surpresa.

      • Mauro França disse:

        Com tanta gente atacando, vai sobrar alguem pra marcar? rsrsrs. Curiosamente, uma das coisas que mais elogiei nos tempos do Adilson foi justamente a dinamica do meio de campo.

  3. LUIZ ANTONIO disse:

    Marcel, também vi o mesmo jogo visto por você. Muita coisa ainda vai melhorar e certamente teremos um ótimo segundo semestre.

  4. Naldo disse:

    O São Paulo quando joga contra o Cruzeiro só para de jogar quando o juiz encerra o jogo. Temi pelo empate e depois pela derrota. Disseram que o São pregou no segundo tempo, deveriam é ter morrido. Ô time chato sô.

  5. Moema (MFox) disse:

    Marcel, ótimo relato. Assistir um jogo de cabeça fria, sabendo o que vai acontecer, nos dá uma visão completamente diferente daquela que temos durante o calor do jogo, onde cada ataque perigoso do adversário é realmente sofrido. Eu quase nunca assisto VT na íntegra de jogos, mas quando o fiz tive impressões bem diferentes do que “ao vivo”. Acho que nosso time ainda é o famoso “work in progress”, mas concordo com você que temos motivo para ter esperança.

  6. Celeste disse:

    Marcel eu também acho que não houve a falta no lance do primeiro gol. Todo juíz está sujeito ao erro, só que sempre erra à favor do tricolor. Foi difícil engolir a comemoração dos Sãopaulinos. E acho que se jogarmos contra eles mais 10 vêzes, ganhamos uma. É tabu mesmo!

    • Cuné disse:

      Acredito muito que esse tabu acaba no jogo de volta, no segundo turno. Eles não perderam por muito pouco e em MG talvez não tenham a mesma sorte.

  7. simone b de castro disse:

    Concordo que depois, vendo os lances de cabeça fria, alguns conceitos mudam. Mas ainda assim, acho que nosso segundo tempo foi muito melhor que o primeiro. No primeiro tempo, nossos jogadores pareciam muito ansiosos, muito passe errado, muito afobamento. No segundo, estiveram mais conscientes. Ainda acho que Cuca se enganou redondamente ao colocar Robert na partida. Nada a ver.

  8. Elias disse:

    1. Sobre o lance do Ricardo Oliveira: Não entendi o árbitro aplicar-lhe somente o amarelo, uma vez que a “agressão” (nota: em maior ou menos escala trataou-se de uma agressão) foi na sua frente.
    2. Sobre o Roger: Não implico com esse ou com aquele jogador do Cruzeiro. Nunca fiz isso. Mas o passo tipo “urubú malandro”, às vezes, me enerva. Hoje ele novamente pediu a titularidade. Sei não, ele vai ter que jogar muito mais que jogou até aqui, senão é banco mesmo. Ainda mais com a volta do Gilberto.
    3. Concordo que foi um grande jogo, cheio de alternativas, de domínio, de possibilidade de vitória. A despeito do castigo do final, poderiamos já ter amargado uma “sapecada” ainda no primeiro tempo.
    4. O próprio Cuca reconheceu que a defesa não foi bem…

  9. Elias disse:

    E que tem que melhorar. Mas opções estão lhe sendo ofertadas, prá ter um time mais compacto, com saídas mais rápidas. Achei que no primeiro tempo, o esquema “segurando” nossos laterais não fluiu. Com o terceiro zagueiro (que poderia ser mais um volante) o futebol do Rômulo apareceu mais, inclusive no primeiro gol. Ai que acho que entra o Gilberto, armando pela esquerda.
    Mas AINDA temos uma semana prá treinar. Aliás, a última. Pois à partir da semana que vem o “pau quebra” na quarta/quinta – sáb/dom. Ai vamos ver quem tem elenco e graveto prá queimar. Contusões, suspensões, má forma técnica/física. Veremos o comprometmento, bola e principalmente SENTIDO de grupo. Ôlho vivo nas tuitadas do Fabinho, nos comentários do Roger e em quem mais possa criar caso…

    • Ernesto Araujo disse:

      “Ôlho vivo nas tuitadas do Fabinho, nos comentários do Roger e em quem mais possa criar caso…” AHAHAHHA

  10. Eduardo Louback disse:

    Só por curiosidade (se o blog me permitir): Vocês falam MontiLHo ou MontiJo? Eu falo com som de “LH”.

    • Jorge Santana disse:

      É MontiJo, mas seria MontiLHo ou até MontiIo em outras praças latino-americanas. Como ele está no Brasil, melhor chamá-lo de Montilo, mesmo.

    • Mauro França disse:

      De acordo com o Schulmann, que é argentino, o certo é Montijo.

      • Ricardo Malafaia disse:

        Concordo com o Jorgel Santana. Falar Montijo é o mesmo que dizer ruéguei e não réguei.

      • Ernesto Araujo disse:

        Eu falo Monti dJ o , com um pequeno “d” antes do Jota. Acho mais bonito do que o MotiJo, assim, com o Jota “a seco”.

      • Sobrinho disse:

        O nome com mais pronuncias diferentes da história deztepaiz!

    • O apelido do Montillo é na Argentina “Ardilla” ===> esquilo nada a ver com aquela bebida alcoólica que o Sobrinho e Frede adoram

      • Ernesto Araujo disse:

        Não adianta, MSA… Precisamos arrumar um nome pra ele que nos livre desses LL. Gostei do “El Diez”… Mas acho um pouco cedo ainda pra dar esse apelido. Viram só como não tenho NADA contra os argentinos e principalmente contra os argentinos do Cruzeiro ?

      • Nosso comentarista quase aposentado e precisando de uns oculos, Albertinho Rodrigues, acho que nem para colocar mais apelido serve.. Vamos Aguardar no que vai dar.

      • Sobrinho disse:

        Boto fé no Bom Motillo e o Rum Montila tem seu valor também!!

    • simone b de castro disse:

      O próprio jogador, disse aos jornalistas que é Montijo. Agora não sei de tem um “d”, tipo Montidjo, como disse o Ernesto…

  11. Ricardo Malafaia disse:

    Olá Marcel,

    quando você fala em “erro sistêmico”, está pensando em possível retorno ao deus-nos-acuda com bolas altas na área azul?

    • kkkkk, Ricardo acho que entendi o grande Marcel, o Cabocó é Analista de sistemas.. nessas horas tem que levar em consideração a profissão.

      • Ricardo Malafaia disse:

        Rsrsrs. Contextualizou, né Maurício? Mas a pergunta era para conhecer a opinião do Marcel sobre um pobreminha que eu estou achando que está voltando. O que você acha? Aquele golzinho do Flu, mais um golzinho do SPFW, adversários olhando para cima, chegando na cara do gol e errando…

      • Mauro França disse:

        Volta e meia o time vai sofrer gols mesmo, Majafaia.

      • Ricardo Malafaia disse:

        Rá, rá!!! Tem razão, Fgansa.

  12. Mauro França disse:

    No geral, concordo com o Marcel. Só acho que o juiz foi bem e o Roger não mostrou nada demais. Ou pelo menos, não o suficiente para ser titular. Também não achei que o time tenha jogado tão mal no 1º tempo como foi muito comentado. E acho que podemos ter esperança sim.

  13. Daniel Carvalho - Porto Alegre disse:

    O Roger, infelizmente, não disse ao que veio. Ele pode até ter bola, mas até o momento não justificou. Certamente com a chegada do Montillo, ele(Roger) vai se antenar e jogar mais e se não corresponder, cairá no ostracismo. Acho que nosso time é falho no sistema defensivo, precisamos de uma ligação mais eficiente ao ataque e um ataque mais contundente, com variações de jogadas. Esperamos que o Cuca consiga corrigir estas deficiências. Tem técnico que respeita as características do jogador, outros que se atém mais ao esquema do time, abrindo mão dos atributos do jogador. Para mim tem de haver uma harmonia entre os diferentes setores do time, o que o Cruzeiro não conseguiu.

  14. trovão_azul disse:

    Nelson Rodrigues já defendeu seu ‘complexo de vira-lata’, que para ele era a inferioridade em que o brasileiro se colocava, voluntariamente, em face do resto do mundo, o que influenciava seu futebol. Sinceramente, penso que temos este complexo quando jogamos contra o SPFC, não sei por que. Até a torcida tem seu coração acelerado de véspera(meu filho Leandro de 13 anos já padece desse mal). Como disse o Naldo lá em cima, verdade seja dita que, por mais capenga que o SP esteja, cresce contra o Cruzeiro. Tem muito de psicológico nisso daí…

  15. Binho disse:

    Dizer que ninguém jogou mal é forçar a barra. Robert capengou em campo. Paulista foi esforçado, e Ribeiro rendeu menos do que se espera, pprincipalmente no 1º tempo. Mas no geral concordo com o Fleming.

  16. marcel disse:

    Moçada, achei legal uns comentários, inclusive a gozação com o “erro sistêmico”… é, analista é assim mesmo, se mete a analisar até o que é não dá conta rs…

    Escolhi a palavra “auspicioso” por que significa exatamente o meu sentimento: senti que o time falhou no geral, a defesa está instável, principalment em jogadas aéreas, mas tenho esperanças de que o Cuca vai acertar isso tudo.

    O post seguinte sobre a proposta do 3-5-2, para liberar nossos laterais complementa o que penso… achei interessante que hoje pela manhã tinha pensado exatamente nisso: se temos laterais que avançam – e parece ser uma característica do Cruzeiro ter laterais assim: Leandro, Maicon, Maurinho, Jonathan etc.. – acho que tem pensar uma forma de fazer isso dar certo.