Marcelo Bechler: “Adílson não contava com o organizador Montillo”

Por Jorge Angrisano Santana | Em 27 de agosto de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Cruzeiro 1×0 Corintiãs, no Parque do Sabiá, Uberlândia, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro 2010, em 25ago10:

  1. Marcelo Bechler, no blog do Lédio Carmona: Adilson não conhecia Montillo: Antes do jogo, o que mais se falava era do confronto particular entre Adilson Batista e seus ex-comandados. O time de Cuca, no entanto, tinha quatro jogadores pós-Adilson: Edcarlos, Éverton, Montillo e Robert. O treinador do Corinthians conhecia quase todas as armas do rival. Quase. Não contava com o camisa 10 argentino, organizador do time mineiro, destaque dos três jogos que participou. Montillo fez aos dois minutos o único gol do jogo, em chute com efeito e praticamente sem ângulo. A partir daí, o que se viu em campo foi o Corinthians com a bola e o Cruzeiro não deixando o adversário jogar. Durante toda a partida, a equipe paulista teve mais posse de bola. Aliás, muito mais. A porcentagem nunca baixou da casa dos 60% e terminou o jogo em 63%. O recuo do Cruzeiro era estratégico para tirar a velocidade do jogo e o antídoto era o contragolpe com Montillo tentando acionar os atacantes. Apesar de ter a bola, o Corinthians praticamente não levou perigo ao gol de Fábio. Teve a chance do empate no pênalti defendido pelo goleiro e uma cabeçada de Paulo André na trave. Foram seis finalizações para cada lado – cinco do Cruzeiro no alvo contra três do adversário. O Corinthians estéril como foi causa preocupação no seu torcedor. Desde o clássico contra o Palmeiras, quando Jorge Henrique marcou, um atacante não faz gol. Ronaldo pode voltar contra o Vitória e passa a ser esperança de um ataque mais efetivo. Do outro lado, Cuca chegou a sua quarta vitória a frente do Cruzeiro: Atlético-PR, Goiás, Atlético-MG e Corinthians. Em todas, sua equipe teve pouca posse de bola e venceu o jogo nas raras chances que criou. Para brigar na parte de cima, o Cruzeiro vai precisar aprender a jogar também com a bola, o que não aconteceu depois da Copa do Mundo.
  2. Juca Kfouri, em seu blog: Noite do Cruzeiro no Parque do Sabiá: O Corinthians tem por que reclamar novamente da arbitragem. Começou levando um belo gol do argentino Montillo do Cruzeiro, aos 3 minutos, mas, depois, tomou conta do jogo. Bruno César bateu mal um pênalti aos 7 que Fábio defendeu no meio do gol, com as pernas, mas o árbitro não teve coragem de mandar a cobrança voltar por invasão da área por parte de cruzeirenses. Depois, no começo do segundo tempo, fez pior. Bruno César foi claramente empurrado por Henrique, que fez um partidaço, dentro da área e o apitador fez que não viu. Antes, ainda no primeiro tempo,  Paulo André cabeceou na trave de Fábio no belo Parque do Sabiá, em Uberlândia. No segundo tempo quase todo o Cruzeiro se limitou a se defender. E bem, até porque o ataque do Corinthians com Iarley quase não funciona. Tanto que ele saiu para a entrada de…Souza. Como Bruno César também saiu para que William Moraes entrasse. E Roberto Carlos, para Paulinho. Mas não adiantou nada porque o 1 a 0 ficou no placar, num castigo que o Corinthians não mereceu, mas que o Cruzeiro soube defender. No Cruzeiro, Robert, Everton e Montillo saíram para entrarem Wallyson, Pablo e Roger que, em seu primeiro lance, deu com açúcar para Wallyson marcar mas Júlio César defendeu. A terceira derrota do alvinegro fora de casa permitiu ao Fluminense abrir cinco pontos de dianteira na liderança.
  3. Mauro Beting, em seu blog: Cuca usou o 3-4-1-2 que gosta. Mas de um modo menos ofensivo e abusado que o usual. Ou, no caso, com um gol de Montillo logo no início, com a bola passando por baixo de Júlio César, o Cruzeiro recuou, deu a bola e espaço ao Corinthians, e pouco especulou no contragolpe. Ficou muito travado pela boa marcação alvinegra, e não chegou à meta rival com a inspiração e intensidade desejada em Uberlândia – que se dividiu entre o mandante e o visitante. O Corinthians perdeu pênalti discutível mal batido por Bruno César (sem tirar o mérito do excelente Fábio) logo de cara, mandou bola no travessão, perdeu gols de todos os modos, e pode lamentar mais uma derrota fora de casa. Porém, um resultado natural num campeonato como este, contra um adversário como este.
  4. Fábio, goleiro do Cruzeiro: A gente está preparado. Eu observo muito os lances dos outros jogos e já tinha estudado. O goleiro está lá para isso. Pênalti é um momento crítico, e estou muito feliz por essa oportunidade de ajudar a equipe.
  5. Edcarlos, beque do Cruzeiro: Nós estávamos angustiados por termos mudado de campo várias vezes. Isso é complicado, mas não serve como desculpa para os resultados negativos. A gente ainda não tinha encontrado nosso padrão de jogo. O professor está treinando bem e está fazendo um trabalho bom, mas nós não estávamos sabendo mostrar isso direito dentro de campo. Hoje nós sofremos um pouco, porque nos limitamos a defender o resultado. Porque é o resultado é que vale e o resultado não é jogar bem. Sofremos um pouco para marcar, mas graças a Deus saímos com a vitória e vamos continuar crescendo no campeonato.
  6. Pablo, lateral-esquerdo do Cruzeiro: Começar com vitória é sempre bom e eu ofereço esse resultado primeiramente a Deus e depois a esse grupo maravilhoso, que me acolheu como se eu viesse da base. Agradeço aos companheiros, ao treinador, à comissão, ao Clube e também à torcida, que compareceu e ajudou bastante.
  7. Montillo, meia do Cruzeiro: Estou muito contente que com o gol pudemos conseguir os três pontos, que são muito importantes. Oxalá continuemos assim, porque temos uma equipe para estar mais acima. É algo que tínhamos com os rapazes do Universidad de Chile. Estivemos conversando por telefone e me disseram que eu ia fazer um gol, foi por isso.
  8. Wellington Paulista, atacante do Cruzeiro: Voltei à infância, na época do Juventus, do Santos e até mesmo do Paranazinho. É assim que acontece quando a gente diz que está mudando a cara do Cruzeiro. É uma coisa que eu estava desacostumado a fazer, jogar de meia, ala, volante, já que estava jogando praticamente só de centroavante. Tenho força para isso e vou continuar fazendo.
  9. Cuca, treinador do Cruzeiro: É um jogo em que o mais importante seria, e como foi, a vitória. Depois de jogos como empate com Grêmio Prudente, empate com gosto de derrota com o São Paulo e derrota em casa para o Vitória-BA, você vem com moral baixo, na obrigação de vencer. Contra um adversário que vem de goleada num clássico, perto da liderança, jogando um futebol de altíssima velocidade. Você tem que pensar alguma forma de parar essa velocidade do Corinthians. A receita foi ir para cima deles. Quando começou o jogo, tivemos uma, duas chances e fizemos o gol. Aí retraímos, ficamos muito atrás. O Corinthians tomou conta do primeiro tempo, teve posse de bola, perdeu pênalti e mandou bola na trave. E nós acabamos na frente. No segundo tempo a gente não lembra de o Corinthians ter tido oportunidade, porque posicionamos melhor, com uma saída melhor. Erramos no último passe. Ficou bom pra a gente o segundo tempo. Fomos um time maduro, que valorizou o resultado, como tinha que ser. Você não ia ganhar com tranqüilidade dentro dessa situação que eu falei.
  10. Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro: Temos que terminar o primeiro turno pelo menos com 30 pontos, se quisermos sonhar com o título ainda. O Cruzeiro está acostumado a grandes desafios. Acho que, quando os times são mais qualificados, o Cruzeiro se supera, tem sido assim no campeonato.
  11. Chicão, beque do Corinthians: Está sendo complicado. Estamos vacilando muito fora de casa. Diante do Avaí criamos chances, mas perdemos. Agora contra o Cruzeiro novamente criamos e perdemos. Sabemos que o Pacaembu faz a diferença. Vale ressaltar que a nossa torcida compareceu nesta quarta, mas a bola não entrou. Paciência.
  12. Elias, volante do Corinthians: Jogamos até que bem no primeiro tempo. No segundo, forçamos e nos expomos. Mas é algo normal, o time estava perdendo. Tomamos o gol bem no começo e isso muda totalmente a estratégia de jogo. Nós já esperávamos um pouco de marcação individual. Tivemos algumas oportunidades, mas não deu para aproveitar. Foi difícil sair da marcação deles.
  13. Adilson Batista, treinador do Corinthians: No intervalo tive uma conversa com o Bruno e o alertei, pedi para ele ter calma. Acontece com grandes jogadores perder um pênalti, como aconteceu com Zico e Sócrates. Quando isso acontece, você tem que reagir rápido, entrar no jogo e ficar atento. Evidentemente que ele é jovem, mas não dá para se abater. Ele é talentoso e não pode se abater. O Elias foi vigiado pelo Marquinhos Paraná, enquanto o Bruno (César) pelo Henrique. Ainda eles receberam a ajuda do Wellington Paulista, que acompanhou o Alessandro. Tentamos ter a penetração dos volantes, especialmente do Elias, mas não aconteceu. O Cruzeiro se fechou muito.
  14. Beth Makkenel, no PHD: Gostei muito da bravura do nosso time. Sabendo das dificuldades e sendo o adversário uma boa equipe e ainda sem contar com Gilberto, Thiago Ribeiro e Fabrício, o Cuca teve que se armar para vencer no peito e na raça. E assim foi! Valeu Cruzeirôôô. O time celeste começou a todo vapor e após fazer o gol, tão importante neste momento, tratou de se fechar para ir nos contra ataques. Todos os jogadores merecem os aplausos. Honraram a nossa camisa. O Montillo fez seu 1º gol. E se não fosse o juizinho, o resultado poderia ser maior. Era só encostar no adversário que o cartão amarelo aparecia para nosso time. Já o contrário, nada de cartão e nem mesmo de faltas. O penal deles não existiu.
  15. Palmeira, no PHD: Valeu pelos três pontos, mas é complicado ver o grande Cruzeiro jogar como time pequeno. Nunca vi o time nessa sitação. E foi o mandante. Não via a hora do empate. Me fez lembrar o Londrina no década de 70, que jogou 90 minutos no campo de defesa contra o Cruzeiro. Leonardo Silva, Gilberto, Fabrício e Tiago Ribeiro fazem muita falta ao time. O Montillo jogou muito e vai crescer ainda mais quando estiver mais entrosado. Vendo o Robert jogar (?) dá até para considerar o WP um grande craque e querer que o clube não o venda por R$11 mi. Acho um absurdo liberar o Eliandro e reter este sujeito chamado Robert. Não joga nem no Vila Nova-GO, último da segunda divisão.

Pesquisa: Romarol

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