O dia em que o Animal voltou

Por Jorge Angrisano Santana | Em 21 de setembro de 2010

Aconteceu em Saquarema, no século passado.

Carlinhos Couri, meu primo vascaíno, queimava uma maminha na churrasqueira, eu, além de morcegar, matava a sede com umas escóis geladas, as mulheres palravam futilidades, como sempre, quando apareceu o Ricardinho pra falar de coisa séria:

– Paiê, o Vassshhhco acaba de contratar o Animal! Deu na Globo!

– Que merda, hem filho?

– Ué, merda por quê? Edmundo é craque.

– Mas nos tempos de Flamengo, você não dizia que ele era assassino, cachaceiro e desagregador?

– Era, mas ele melhorou muito de uns tempos pra cá… Tá regenerado, pai!

Carlinhos deu um sorriso maroto, abanou o braseiro, virou o espeto pra carne queimar do lado oposto, tomou um gole e cantou:

– Deus, meu Deus, tenha piedade de mim…

Luxa é o Animal e nós somos os ricardinhos. Se ele voltar, será absolvido. Por enquanto, cepada nele!

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