A página heróica e imortal da Moema Fox

Por Jorge Angrisano Santana | Em 22 de junho de 2010

Caros Jorge e Evandro,

Segue meu relato do jogo Cruzeiro x NY Red Bulls. Ficou bem grande, então por favor fiquem à vontade para fazer os cortes/alterações que julgarem necessários.

Peço também que revisem o texto, pois ultimamente ando comentendo diversos erros de português…

Seguem também, em anexo, as fotos que tirei durante o jogo. São poucas, pois como falei minha câmera resolveu parar de funcionar assim que cheguei ao estádio, e meu celular ficou sem bateria…

Apesar de tudo, aí vai uma parte da aventura americana para acomapnhar, em 18jun10, o NY Red Bull 2×4 Cruzeiro

Um forte abraço,
Moema.

*****

Minha página heróica e imortal

Moema Fox

Eu mal pude acreditar quando surgiram os primeiros rumores de que o Cruzeiro estaria acertando alguns amistosos nos EUA. Moro em Chicago há pouco mais de dois anos, e não tenham dúvidas de que uma das coisas que mais sinto falta é acompanhar o nosso time.

Se dependesse do interesse local pelo futebol, não teria ficado sabendo que meu Cruzeiro estaria excursionando pelos EUA. No entanto, parece-me que o jogo foi bastante divulgado em Boston e New Jersey, onde existem enormes comunidades de brasileiros.

Em tempos em que se discute qual o modelo ideal de torcedor, prefiro seguir a minha própria cartilha: acompanho, defendo, divulgo e torço a favor. Não me acho melhor ou pior que nenhum outro torcedor, e por isso quero começar este relato dizendo que meu objetivo aqui é tão-somente o de compartilhar com vocês a experiência que tive, pois tem sido neste espaço que acompanho mais de perto o nosso time durente este período em que estou morando fora do Brasil.

Relatei, aqui no blog, algumas dificuldades pra ir a este jogo. Até o último minuto, fiquei sem saber se conseguiria, pois tinha um compromisso profissional na manhã de sexta que poderia se estender pela tarde e impedir a minha viagem. Mas tudo deu certo e cheguei ao aeroporto sem problemas. Saí de Chicago às 14h40, com previsão de chegada em NY às 16h (NY tem fuso diferente de Chicago, uma hora adiantada). O jogo começa às 20h, então nada poderia dar errado!

Chegando em NY, veio o desespero: trânsito parado e o tempo parecia passar mais rápido que o normal. Após 20 minutos sem mover um quarteirão, perguntei ao taxista quais eram as minhas alternativas. Ele disse que se eu quisesse chegar ao estádio antes de o jogo acabar, teria que ir de trem. Dois minutos depois, lá estava eu dentro de um ônibus indo pro lado oposto da cidade, mas que me levaria para a estação de trem onde pegaria o metrô pra Manhattan e, onde faria  baldeação pro trem de New Jersey.

Cheguei ao estádio às 20h20 com mala e tudo. Ouvi a vibração do primeiro gol do lado de fora, e minha ansiedade só foi crescendo. Camisas celestes por todos os lados, uma sensação indescritível! Comecei a correr e agradecer quem inventou a mala de rodinha! Cheguei, ufa!

A Arena Red Bull, recém inaugurada, tem capacidade pra 25 mil pessoas. Como fui sozinha, comprei ingresso para o setor chamado “Club Seats”, área vip, com assentos em lugares privilegiados (primeiras fileiras perto dos bancos de reservas) e acesso ao “club lounge”, com comida e bebida incluídos. Esse era o ingresso mais caro, mas tinha opções pra todos os gostos e bolsos. Atrás do gol fica a área dos supporters, que é o mais próximo da geral que os americanos podem chegar, e o ingresso custa US$30.

Espero que o Cruzeiro tenha aproveitado pra fazer algumas observações e aprender com os americanos que a melhor forma de fazer dinheiro é investindo no torcedor. Pois ele é o cliente mais fiel que existe. Só que ele não dá dinheiro se não receber algo em troca.

Meu assento era o primeiro ao lado do banco de reservas do Cruzeiro, uma excelente localização. Se eu fosse mais cara-de-pau, dava até pra ter batido um papinho com os reservas durante o jogo e até  com o Jonathan durante o 2º tempo, quando aquele espaço virou a lateral direita do nosso time.

Como cheguei atrasada, claro, já tinha gente sentada no meu lugar. Como aqui é diferente, e paguei mais caro pela localização do assento, pedi ao amigo cruzeirense para sair, no que fui prontamente atendida.

O estádio não estava lotado, como vocês podem ver nas fotos. Só a parte inferior estava cheia, e praticamente todo mundo com a camisa do Cruzeiro. Fiquei feliz de ver que temos uma torcida imensa também por aqui.

Perto de mim, havia um torcedor com a camisa rosa. Quando o Red Bulls fez o primeiro gol, o pobre-coitado teve a cara-de-pau de levantar e provocar a torcida. Mas, pouco tempo depois o Cruzeiro fez mais um, e aí ele voltou à sua tradicional inferioridade, sem maiores retaliações da torcida (até porque, acho que todo mundo devia se conhecer na área onde eu estava). Mas depois eu fiquei foi com dó, porque eu teria ficado muito triste se fossem as cocotas vindo pros EUA no lugar do Cruzeiro. Sofredor internacional, coitado. Mas eu vi camisas de vários times, muitas da seleção, e gente com diversos sotaques, então notei que o Cruzeiro havioa proporcionado uma festa para os brasileiros da região.

Mas, pior que as zebras rosas, são os cornetas. Numa boa, entendo torcedor que fica nervoso durante jogo importante e desabafa xingando os jogadores, mas fazer isso em um amistoso, ainda mais quando o time finalmente vem à sua cidade??? Ah, não – o Henrique pegava na bola, um caboclo perto de mim começava a reclamar. Rafael Monteiro caçava uma borboleta, xingavam o menino. Confesso que senti vergonha quando começaram a chamar o Pedro Ken de cachaceiro (?) e fazer gracinhas com o Roger. Meu, pra que time você torce???

Não tenho a pretensão de fazer uma análise do jogo, esquemas táticos e atuação dos jogadores, o que não é a minha praia e já foi feito com maestria pelos comentaristas aqui do blog. Mas, como impressão geral, foi um jogo gostoso de se assistir, aberto, sem marcação cerrada e com bastante espaço para os jogadores. Tivemos várias chances de gol, e alguns jogadores fizeram firulas pra agradar à platéia -brasileiros e, principalmente, americanos, que ficaram impressionados. Emerson Ávila muito raramente se levantava, e achei o clima entre os jogadores descontraído e amistoso.

Passou rápido, muito rápido… Queria que o jogo tivesse mais dois tempos, só pra eu poder curtir um pouco mais o momento e a alegria de estar perto do meu time…

Acabado o jogo, uma multidão invadiu a área onde eu estava sentada, já que era ao lado do banco do Cruzeiro. Acabaram ali as minhas esperanças de algum contato com os jogadores, mas tudo bem. Torcedores pediam camisas, que foram negadas. Wellington Paulista, já sem camisa pois tinha trocado a sua com um gringo, tirou as chuteiras vermelhas e jogou para os torcedores. Algum outro jogador jogou uma camisa de treino, e começou a confusão. Gente brigando, cada um puxava um pedaço -era um pedacinho do Brasil na América, risos… Vi que muitos outros fizeram como eu, vindo de longe apenas para ver o Cruzeiro jogar.

Na saída, encontrei-me com o Guilherme Mendes no lobby. Ele me perguntou de onde eu vinha (já que eu era o E.T. do estádio carregando uma mala), perguntou se eu gostei, etc. Nessa hora até pensei em pedir pra conhecer os jogadores, e tal, mas confesso que já estava mais preocupada em como voltar pra NY (onde fiquei hospedada), então deixei de lado a chance de conhecer o elenco. Além do mais, não ia nem poder tirar fotos já que não tinha câmera, e todo mundo conhece o ditado que diz “pics or it didn’t happen”, né?

A volta foi outra aventura. Segui o fluxo de torcedores crente que ia chegar na estação de trem, até que uma hora todo mundo foi se dispersando e a lerdeza aqui finalmente notou que estava perdida. Fiquei com um pouco de medo, pois NJ não é lá o lugar mais seguro dos EUA, mas não ia ser agora que algo iria dar errado, né? E, enquanto eu andava, com minha camisa do Cruzeiro e puxando minha malinha, algumas pessoas passavam de carro e perguntavam quanto foi o jogo (em português), e saiam buzinando alegres quando eu falava o placar. Achei a estação, voltei para Manhattan e fui dormir feliz e satisfeita por ter escrito a minha própria página heróica imortal.

Quero agradecer aos amigos do Cruzeiro.Org e do HD por terem me incentivado a ir ao jogo. Confesso que em alguns momentos pensei em desistir, tendo em vista os inúmeros obstáculos e dificuldades que foram aparecendo. Foi difícil, cansativo e caro, mas valeu cada esforço, cada minuto e cada centavo. E a verdade é que a gente não sabe o dia de amanhã, então temos que aproveitar as oportunidades de fazer o que gostamos enquanto as condições nos permitem fazê-lo. Afinal de contas, são momentos como esses que ficam gravados em nossas vidas.

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.